segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Síndrome de Patau

A síndrome de Patau é uma doença genética que afeta em maior número os bebês com mães que engravidaram depois dos 35 anos de idade. Os bebês nascem com mal formação no sistema nervoso central causando retardo mental e mal formaçõe físicas.
O bebê apresenta fenda labial, palato fendido, orelhas mais abaixo do que o normal, dedos das mãos e dos pés sobrepostos, problemas de coração, olhos, rins e nos genitais.
A síndrome pode ser descoberta ainda durante a gravidez e não existe nenhum tratamento para ela. Embora a psicomotricidade consiga trazer alguma melhoria na qualidade de vida destas crianças.

Doença de Stephen Hawking

A doença de Stephen Hawking é uma distrofia neuromuscular chamada de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A ELA faz com que os músculos do corpo vão pedendo a sua força, inicialmente são afetados os músculos das pernas, fazendo com que o doente tenha que usar uma cadeira de rodas.
Com o passar do tempo a doença continua se agravando e os músculos do abdômem e braços perdem força e dentro de algum tempo o indivíduo portador da doença não consegue respirar, nem engolir sozinho necessitando da ajuda de aparelhos.
A doença não atinge o sistema nervoso central, e por isso o indivíduo continua entendendo tudo perfeitamente, apesar de não conseguir movimentar-se livremente.
Essa doença é de origem genética e atinge mais os homens do que as mulheres.


Progeria

Progeria é uma doença genética rara, caracterizada pelo envelhecimento prematuro que deixa bebês com aspécto de pessoas idosas. A morte que acomente essas crianças geralmente na faixa dos 14 a 16 anos, em geral, é devido a doenças degenerativas próprias de pessoas idosas.
As principais características de crianças com progeria são:
  • a perda de cabelo;
  • perda de gordura subcutânea;
  • osteólise;
  • artrose;
  • baixa estatura ou nanismo;
  • cabelo rarefeito ou ausente;
  • clavícula ausente ou anormal;
  • dificuldades na alimentação no lactente;
  • erupção tardia dos dentes;
  • face estreita;
  • luxação do quadril;
  • mobilidade articular diminuída;
  • pele fina;
  • pilosidade corporal reduzida;
  • puberdade tardia;
  • sobrancelhas ausentes/rarefeitas;
  • unhas dos pés finas;
  • fontanela grande;
  • lábios finos;
  • lóbulo do pavilhão auricular pequeno/hipoplásico;
  • osteoporose.

Ictiose

A icitiose é uma doença genética caracterizada por uma descamação da pele especialmente na região do tronco, pernas e pés. Apele fica com um aspécto de escama de peixe. A ictiose com manifestação mais grave está relacionada à incompatibilidade genética de pais com parentesco próximo.
Existem várias classificações para esta doença. A ictiose vulgar mais leve que se manifesta entre os 3 e 4 anos de idade e diminui de intensidade com o tempo, a ictiose ligada ao cromossomo X, que se manifesta nos meninos, a ictose lamelar bolhosa e não bolhosa.
Independente do tipo, na ictose ocorre um aumento do ritmo das células da pele que são produzidas e uma diminuição do ritmo de remoção das células da superfície da pele.
A perda de água pela pele aumenta o risco de desidratação o que é muito sério no bebê recén nascido.
De acordo com uma revisão bibliográfica do instituto da criança professor P. de Alcântara, os cuidados ao nascimento são essenciais para garantia a sobrevida do bebê com ictiose.

Hemocromatose

Pessoas que têm os níveis de ferro muito altos no sangue, podem sofrer de uma doença chamada hemocromatose. Nessa doença, o excesso de ferro é depositado no fígado e ao passar do tempo vai gerando complicações mais sérias que podem causar câncer e levar o indivíduo à morte.
A evolução da hemocromatose dá-se da seguinte maneira: o ferro em excesso é acumulado no fígado, este gera fibrose, que pode evoluir para uma cirrose, que se não cuidada pode gerar um tumor.
O tratamento para a hemocromatose é a doação de sangue 1 vez por semana, para diminuir as quantidades de ferro no organismo, antes dele atingir maléficamente o fígado. É preciso também realizar vários exames de sangue para verificar a quantidade de ferro.


Lábio leporino

Lábio leporino é uma doença genética que atinge em maior número os asiáticos e índio americanos e é caracterizada por uma abertura que pode ir do lábio superior até o nariz, como se faltasse um pedaço de carne.
Essa mal formação ocorre por um falha durante  o primeiro trimestre da gestação, quando os dois lados da face deixam de unir-se perfeitamente.
O tratamento para o lábio leporino é feito com uma cirurgia corretiva que permite unir em quase perfeição os dois lados da fenda, deixando somente uma cicatriz, que pode ser retirada com uma cirurgia estética.
Crianças que nascem com esta mal formação podem levar uma vida normal, pois não apresentam outros problemas associados.


Síndrome de Apert

A Síndrome de Apert é uma doença genética caracterizada por má formação na face, crânio, mãos e pés. Embora não se saiba as causas do desenvolvimento da síndrome de Apert, ela desenvolve-se devido a mutações durante o período de gestação.
Outras caracteristicas das crianças que nascem com síndrome de Apert são:
  • aumento da pressão intracranial,
  • deficiência mental,
  • cegueira,
  • perda de audição,
  • otite
  • problemas cardio-respiratórios.
O portador dessa síndrome deve passar por inúmeras intervenções cirúrgicas para melhorar a função respiratória e a descompressão do espaço intracranial, e assim melhorar a qualidade de vida.


Daltonismo

O daltonismo é uma doença genética que faz com que o indivíduo não consiga identificar uma ou muitas cores.
Existem três tipos de daltonismo:
* dicromático, onde  não se distinguem os tons de vermelho e verde ou o azul do amarelo,
* monocromático, onde enxerga-se somente em preto e branco,
* tricromático, que é o mais comum, similar as dicromático, porém em grau mais atenuado, estes percebem os tons das cores alternados.
O daltonismo não tem cura, mas existem lentes que incrementam o contraste entre as cores.

Como diagnosticar o daltonismo

O diagnóstico do daltonismo é difícil. Quando o problema é leve muitos indivíduos não chegam a ser identificados, mas os testes e métodos mais utilizados para diagnosticar o daltonismo são:
  • Teste Ishihara: neste teste para diagnosticar o daltonismo congênito, exibi-se ao paciente uma série de cartões pontilhados de várias tonalidades diferentes.
  • Teste Farnsworth: neste utilizado para diagnosticar o daltonismo adquirido,  é composto de quatro bandejas plásticas com cem cápsulas em tons diferentes. O observador tem 15 minutos para posicionar as cores numa ordem lógica.
  • Teste Lãs de Holmgreen: este teste avalia a capacidade de separar determinados fios de lã de diversas cores.
  • Teste Anomaloscópio de Nagel: neste teste para diagnosticar o daltonismo, um aparelho examina o campo  de visão dividido em duas partes. Uma, iluminada por uma luz amarela, e a outra, iluminada por diversas luzes verdes e vermelhas. O examinador deve tentar igualar os dois campos.









Doenças cardiovasculares

As doenças cardiovasculares representam um termo amplo que inclui várias doenças cardíacas e vasculares mais específicas. A doença cardiovascular mais comum é a doença das artérias coronárias, a qual pode ocasionar ataque cardíaco e outras condições graves.

Tipos de doenças cardiovasculares

As doenças cardiovasculares incluem:
* Doença das artérias coronárias.
* Ataque cardíaco.
* Angina.
* Síndrome coronariana aguda.
* Aneurisma da aorta.
* Arritmias.
* Doença cardíaca congênita.
* Insuficiência cardíaca.
* Doença cardíaca reumática.

 
Fatores de risco para doenças cardiovasculares
Algumas condições médicas, assim como fatores de estilo de vida, podem colocar a pessoa sob um risco maior de doenças cardiovasculares. Em princípio todas as pessoas podem tomar medidas para diminuir o risco de doença cardiovascular. O controle dos fatores de risco é especialmente necessário para pessoas que já tiveram doença cardiovascular anterior.

Pode-se dividir os fatores de risco em:
* Condições médicas.
* Fatores de estilo de vida.
* Fatores hereditários.

Fatores de risco para doenças cardiovasculares
Algumas condições médicas, assim como fatores de estilo de vida, podem colocar a pessoa sob um risco maior de doenças cardiovasculares. Em princípio todas as pessoas podem tomar medidas para diminuir o risco de doença cardiovascular. O controle dos fatores de risco é especialmente necessário para pessoas que já tiveram doença cardiovascular anterior.

Pode-se dividir os fatores de risco em:
* Condições médicas.
* Fatores de estilo de vida.
* Fatores hereditários.

Fatores de estilo de vida como risco para doenças cardiovasculares

Fumo
O fumo eleva o risco de doenças cardiovasculares. Fumar cigarros promove arteriosclerose e eleva os níveis de fatores coagulantes do sangue, como fibrinogênio. A nicotina eleva a pressão sanguínea e o monóxido de carbono reduz a quantidade de oxigênio que o sangue pode transportar. Exposição prolongada à fumaça do fumo de outras pessoas também pode elevar o risco de doenças cardiovasculares em não-fumantes.
Dieta
Vários aspectos dos padrões de dieta têm sido relacionados a doenças cardiovasculares e condições relacionadas. Esses aspectos da dieta incluem ingestão alta de gordura saturada e colesterol, o que eleva o colesterol no sangue e promove arteriosclerose. Muito sal ou sódio na dieta pode ocasionar elevação na pressão sanguínea.
Sedentarismo
O sedentarismo está relacionado ao desenvolvimento de doenças cardíacas. Sedentarismo também pode ter impacto em outros fatores de risco, como obesidade, pressão alta, triglicérides altos, baixos níveis do (bom) colesterol HDL, e diabetes. Atividade física regular pode melhorar esses fatores de risco.
Obesidade
A obesidade está relacionada a altos níveis do colesterol (ruim) LDL e triglicérides, baixos níveis do colesterol (bom) HDL, pressão alta e diabetes.
Álcool
O consumo excessivo de álcool ocasionar elevação na pressão sanguínea e aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Ingerir muito álcool também eleva o nível de triglicérides, o que contribui para arteriosclerose.
Fatores hereditários de risco para doenças cardiovasculares

Doenças cardiovasculares podem ser hereditárias. Fatores genéticos provavelmente desempenham algum papel na pressão alta, doença cardíaca e outras condições vasculares. Entretanto, é provável que pessoas com o histórico familiar de doenças cardiovasculares também compartilhem o mesmo ambiente e fatores de risco.

Prevenção de doenças cardiovasculares

A princípio todas as pessoas podem tomar medidas de prevenção para diminuir o risco de doenças cardiovasculares, como:
Controlar o colesterol no sangue
Nível alto de colesterol no sangue é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Prevenir e tratar o colesterol alto inclue ter uma dieta com pouca gordura saturada e colesterol e com muitas fibras, manter um peso saudável, e praticar exercícios físicos regularmente. Todos os adultos devem testar os níveis de colesterol pelo menos a cada 5 anos. Se os níveis de colesterol forem muito altos, o médico pode receitar remédios para diminuí-los.
Prevenir e controlar a pressão alta
Estilo de vida saudável, como ter uma dieta saudável, praticar atividade física regularmente, não fumar, e ter um peso saudável ajudam a ter um nível de pressão sanguínea normal. Adultos devem ter a pressão checada regularmente. Se a pressão sanguínea for alta, a pessoa deve ver com seu médico como tratar e trazê-la a níveis normais. A pressão alta geralmente pode ser controlada com mudanças no estilo de vida e medicamentos quando necessários.
Prevenir e controlar o diabetes
Pessoas com diabetes têm risco maior de doenças cardiovasculares, porém podem diminuí-lo. Também pode-se diminuir o risco para diabetes em primeiro lugar, através da perda de peso e atividade física regular.

Não fumar
O fumo eleva o risco de pressão alta, doenças cardiovasculares e derrame. Nunca fumar é uma das melhores coisas que a pessoa pode fazer para diminuir o risco de doenças cardiovasculares. Largar o cigarro também ajudará a diminuir o risco de doenças cardiovasculares. O risco de pessoa ter ataque cardíaco diminui logo depois de parar de fumar. O médico pode ajudar a pessoa a parar de fumar.

Moderar a ingestão de álcool
O consumo excessivo de álcool eleva o risco de pressão alta, ataque cardíaco e derrame. Pessoas que bebem devem fazer isso com moderação e responsabilidade.
Manter um peso saudável
O peso saudável em adultos é geralmente indicado pela altura e peso usando-se o índice de massa corporal (IMC), que é obtido pela fórmula:
IMC = peso / (altura)2. Assim, uma pessoa com 1,80m e 85 kg tem um IMC de 26,23 ( 85 / (1,8)2). Um adulto com IMC de 30 para cima é considerado obeso. Pessoas com IMC entre 25 e 29,9 estão com sobrepeso. O peso normal é representado pelo IMC entre 18 e 24,9. Dieta apropriada e atividade física regular podem ajudar a manter um peso saudável.

Praticar atividade física regularmente
Adultos devem praticar atividades físicas de intensidade moderada pelo menos por 30 minutos na maioria dos dias da semana.

Ter uma dieta saudável
Juntamente com peso saudável e atividade física regular, uma dieta de modo geral saudável pode ajudar a diminuir a pressão sanguínea e colesterol, assim como prevenir obesidade, diabetes, doença cardíaca e derrame. Ter uma dieta saudável inclui comer muitas frutas e vegetais frescos, diminuir a ingestão de sal e sódio, e comer menos gordura saturada e colesterol.




Doença de Crohn

O QUE É DOENÇA DE CROHN?
doença de crohn em íleo terminal com estenose localA doença de Crohn foi descrita pela primeira vez em 1932 pelo Dr. Burril B. Crohn, da cidade de Nova York, como uma inflamação no intestino delgado, que é crônica e deixa cicatrizes na parede intestinal.
Apesar do processo inflamatório poder ocorrer em qualquer porção intestinal, o segmento terminal do delgado (íleo) é preferencialmente afetado.
A doença de Crohn pode manifestar-se em qualquer idade, mesmo em crianças. Entretanto é normal que os primeiros sintomas surjam no adulto jovem.
Crianças com doença de Crohn devem ser tratadas de maneira resoluta e imediata. Se o distúrbio não for diagnosticado, a doença inflamatória não tratada pode desencadear desordens no crescimento, atraso na puberdade e baixo desempenho escolar.
Em princípio, virtualmente todo o trato digestivo pode ser afetado no mal de Crohn, ocorrendo uma variação entre os segmentos intestinais inflamados. Muitas vezes, segmentos sadios intestinais encontram-se intercalados com os afetados.
A inflamação ocorre em todos os compartimentos da parede intestinal: na mucosa, nos músculos longitudinais e transversais da parede e no tecido conjuntivo abaixo da mucosa intestinal. O processo inflamatório provoca alterações nestas estruturas, inclusive nas glândulas intestinais, de tal forma que o intestino vai gradualmente perdendo sua função digestiva.
A absorção dos nutrientes supridos pela alimentação e as secreções intestinais necessárias ao processo digestivo passam a ser danificadas. A inflamação resulta em cicatrizes e um certo espessamento nos segmentos afetados do intestino. Isto torna a luz intestinal mais estreita e impede o transporte do bolo alimentar.
QUAIS SÃO OS SINTOMAS QUE A DOENÇA DE CROHN APRESENTA?
Em muitos casos a doença desenvolve-se e produz muitos sintomas que não são característicos. Dores estomacais inexplicáveis e diarréia são os primeiros sintomas descritos, entretanto, um súbito ataque com uma aguda e severa dor na "boca do estômago" é também possível. Além da dor, que lembra uma caimbra, diarréias ocorrem na maior parte das pessoas afetadas pela doença. Febre também ocorre irregularmente e os enfermos reclamam de perda de peso e de apetite.
Sintomas inexplicáveis que frequentemente ocorrem no ataque da doença não indicam diretamente a doença de Crohn e podem passar até mesmo anos para que o médico encontre o diagnóstico correto. Evidência de inflmação crônica do intestino pode ser obtida em laboratório de patologia, através de biópsia e pela identificação de sinais de inflamação não específica. O ataque simultâneo de dor abdominal, diarréia e febre, com sintomas em articulações, inflamação na pele ou inflamação recorrente nos olhos também podem ser sinais de Crohn, assim como a presença de fístulas anais. O curso da doença é contínuo. A doença de Crohn é intermitente, sendo interrompida por intervalos mais ou menos longos de pouca ou nenhuma sintomatologia.
QUAIS SÃO OS DISTÚRBIOS NÃO INTESTINAIS DE CROHN?
Só recentemente descobriu-se que a doença de Crohn não afeta exclusivamente o intestino.
Em uma alta percentagem de casos, outros órgão apresentam sintomatologia da doença. Muitas vezes esses sintomas podem não ser relatados ao médico; por esta razão os pacientes portadores da doença devem estar atentos a alterações em sua pele, articulações e olhos, para que o relato das mesmas alerte o médico sobre as possíveis conexões com a doença inflamatória intestinal.
Alterações no pâncreas, órgão que secreta as enzimas digestivas, raramente podem ocorrer. Outros pacientes desnvolvem distúrbios do trato respiratório, no sistema nervoso e no aparelho renal. Algumas vezes diversos órgãos estão envolvidos na doença. Em muitos pacientes, poucos sintomas tornam-se predominantes, tornando mais difícil o correto diagnóstico da doença crônica inflamatória intestinal.
Observações clínicas apoiaram o pressuposto de que os vários distúrbios apresentados têm uma causa comum, mas que esta causa é encontrada na doença intestinal, sendo, isso sim, um distúrbio do sistema imunológico.
Os cientistas concordam que os achados secundários mais comuns em vários órgãos, podem ser o resultado do distúrbio envolvendo o sistema imunológico, o psiquê dos pacientes e o próprio tratamento medicamentoso.
O PAPEL DO SISTEMA IMUNOLÓGICO
A ciência ainda não sabe qual a exata razão pela qual algumas pessoas desenvolvem o mal de Crohn. Entretanto, existe uma evidência crescente de que a predisposição genética, fatores ambientais e o sistema imunológico possam estar envolvidos.
O aparelho digestivo possui uma superfície de contato muito grande, de aproximadamente 250m2. Esta área é importante para absorção dos alimentos e água ingeridos. Por causa deste contato com substâncias exógenas, o trato digestivo possui um grande número de células do sistema imunológico que, dentre outras funções, defendem nosso organismo da invasão de substâncias estranhas que acompanham os alimentos.
A barreira imunológica mais importante no intestino, é representada por um tipo de imunoglobina, a lg A, que possui funções diferentes da lg G encontrada no sangue.
Estudos científicos têm mostrado que na doença inflamatória intestinal ativa crônica, a proporção entre lg A e lg G, muda a favor dessa última, na parede intestinal. Enquanto a lg A normalmente mantém antígenos distante das paredes do intestino, a lg G não possui esta capacidade, permitindo a ligação de antígenos ao tecido intestinal, podendo contribuir para a inflamação intestinal.
Além disso, a lg G, combinada com antígenos e anticorpos, forma "complexos imunes" que podem ser transportados a outros órgão do corpo causando processos inflamatório distantes do intestino.
DEBILITAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO
Alterações circulatórias e pequenas oclusões vasculares no sistema nervoso são extremamente no mal de Crohn. Os efeito da perda de grande volume de líquidos e eletrólitos ocasionada pela diarréia podem afetar o fluxo sangüíneo.
Também é possível que o sistema nervoso dos pacientes possa ser afetado pela carência de vitamina B, pelo fato de sua absorção intestinal ser insuficiente durante o ataque da doença inflamatória.
Em casos de pacientes que foram submetidos a cirurgia para a remoção de parte do intestino, a absorção de outras vitaminas como A, E, D e K também pode ser afetada.
Polineuropatia tem sido observada em pacientes com Crohn. Ela reduz a sensibilidade da região nervosa afetada, podendo causar dor e atividade reflexa reduzida.
Caso um tratamento a longo prazo com metronidazol (antibiótico) seja necessário por causa da intensidade do Crohn, distúrbios nervoso podem ocorrer. Este farmaco liga-se a vitamina B e, deste modo, polineuropatias podem ocorrer, com dores nas mãos e pés com perda de reflexos musculares. Estes sintomas normalmente são reduzidos com a descontinuidade do metronidazol.
DESORDENS ARTICULARES
Reumatismo e doença de Crohn podem ter efeito recíproco: a inflamação reumática nas articulações pode acompanhar a doença; por outro lado, a administração anti-reumática pode exacerbar a doença de Crohn.
Nestes casos, a cooperação entre médicos de diferentes especialidades é requerida.
Um distúrbio do sistema imunológico tem sido correlacionado como causa desta inflamação reumática.
De acordo com os últimos estudos, a permeabilidade intestinal a compostos antigênicos está aumentada na doença de Crohn, e estes complexos imunológicos causam dor nas grandes articulações dos braços e das pernas, assim como da parte baixa da coluna vertebral, e isto ocorre em 25% dos pacientes. Essas inflamações são descritas como artite. Os tendões e cartilagens também podem estar envolvidos neste processo doloroso.
A conexão estreita entre intestino e inflamação das articulações torna-se clara durante o tratamento. Uma melhora nos sintomas reumáticos freqüentemente ocorre em conexão com o sucesso do tratamento e melhoria da atividade inflamatória intestinal.
DISTÚRBIOS NOS OLHOS
Inflamações no olhos ocorrem em um grande número de pacientes portadores da doença de Crohn.
As mais comuns são conjuntivite, inflamação parcial ou completa da esclerótica (parte branca globo ocular), inflamação da Íris, inflamação da membrana intermediária do globo ocular e inflamação da retina.
A inflamação da esclerótica ou da Íris é comumente associada a doença de Crohn e pode ocorrer acompanhando ou não um ataque agudo da doença.
O tratamentos dos distúrbios oculares inclui colírios a base de cortizona e o tratamento efetivo da doença inflamatória intestinal.
Os distúrbios oculares, na doença de Crohn, muito provavelmente são causados por uma reação tipo antígeno – anticorpo.
Ë importante, tanto para o paciente quanto para o médico, considerar a possibilidade do envolvimento ocular na doença de Crohn, assim os primeiros sintomas surjam, o paciente já receba imediatamente o tratamento oftálmico necessário.
ALTERAÇÕES DA PELE NA DOENÇA DE CROHN
Mudanças na pele e na mucosa ocorrem em ao redor de 40% dos pacientes com Crohn. Lesões avermelhadas dolorosas, que em muitos casos são observadas antes das manifestações intestinais da doença, podem ser importantes indicações do mal de Crohn; estas podem parecer na mucosa bucal ou na região anal.
Os dermatologistas chamam estas alterações de inflamações granulomatosas em função de características das células do sistema imunológico presentes nesses locais.
Elas são particularmente comuns ao redor de fístulas e em locais onde ocorra fricção cutânea, como mamas e virilha. Sem conexão direta com o trato intestinal, as reações granulomatosas também podem ocorrer nos lábios e na bochecha, com dores muito fortes nas bordas da língua.
Muitas das alterações epidérmicas parecem estar associadas com a perda ou a reduzida absorção de vitaminas e de oligoelementos, que ocorrem em função da diarréia, que causa perda de sangue e fluidos. Por exemplo, a inflamação da língua (glossite),pode ser resultante de um quadro anêmico.
Transtornos semelhantes ao eczema na região bucal são atribuídos à carência de zinco, que é um importante oligoelemento para a defesa endógena A deficiência do zinco também ocasiona atraso no processo de cura. Quando a função de defesa da pele é danificada pode ocorrer uma invasão por fungos (monília).
O FIGADO, A VESÍCULA BILIAR E O PANCRÊAS NA DOENÇA DE CROHN.
Em casos muitos raros, tanto o fígado quanto a vesícula podem ser envolvidos na doença. Este envolvimento é evidenciado em laboratório pelo nível elevado de enzimas hepáticas no sangue.
Proliferações celulares nodulares conhecidas como granulomas também podem se desenvolver no tecido hepático, do mesmo modo como são evidenciadas na mucosa intestinal.
Em casos muito raros, os anticorpos presentes no Crohn podem também reagir com a superfície dos ductos biliares. Isto causa uma inflamação não especifica dos ductos(colangite), causando constrição como resultado da inflamação. Neste caso, a bile retida pode produzir pedras na vesícula, e em decorrência, o sintoma de cólica da vesícula biliar pode surgir.
Problemas com o pâncreas são raros mas também podem ocorrer na doença de Crohn. Alguns fármacos utilizados para tratar a doença de Crohn (sulfasalazina, mesalazina)podem desencadear uma inflamação pancreática(pancreatite).
Alem disso, a pancreatite aguda pode ser produzida pela própria inflamação intestinal.
O motivo disso é que a doença de Crohn pode provocar mudanças no duodeno; com o pâncreas produz importantes enzimas digestivas, que são secretadas para o duodeno através de um ducto muito pequeno, se este ducto estiver inflamado ou bloqueado, as secreções digestivas poderão congestionar o pâncreas.
As alterações nas enzimas digestivas são observadas em alguns pacientes com Crohn e são atribuídas a distúrbios digestivos do intestino inflamado ou mesmo aos efeitos no sistema imunológico.
DISTÚRBIOS PSICOLÓGICOS NA DOENÇA DE CROHN.
Somente nos anos recente os pesquisadores tem estabelecido uma ligação entre alterações nervosas e respostas psicológicas.
Certos nervos do sistema vegetativo (que controlam funções independentes de nossa vontade e essenciais para a vida) tem efeito inibitório ou estimulador no sistema imunológico. Pesquisadores notaram que as células nervosas do cérebro não somente regulam o sistema imunológico mas, informações originadas do sistema imunológico alcançam os nervos e o cérebro
Um eixo importante de formação e regulação hormonal vai do cérebro às glândulas drenais. Corticoides, insulina, hormônios do crescimento e hormônios sexuais são regulados e estimulados da mesma forma.
A reação do tipo antígeno-anticorpo é também influenciada por um sistema parecido com este, e estimula o sistema imunológico a aumentar a produção de glicocorticoides. Ocorre então uma contra reação endógena à imunização. As citokinas, que são importantes na trasmissão da informação entre as células inflamatórias (linfócitos e monócitos),são também envolvidas neste processo. A extensão e duração da reação imune é também regulada via controle da resposta imune endógena.
Esses mecanismos são de difícil entendimento para o paciente, e para sua compreensão e ele deve solicitar o auxilio de seu medico.
De qualquer forma, um objetivo de grande interesse cientifico, são as respostas do sistema imunológico humano ao stress psicológico. Os estudos nestes campos voltam-se para as pessoas que sofrem de depressão, com a perda de seus padrões de vida ou que tenham sido expostas a outros tipos severos de stress psicológico.
A ligação entre o cérebro e o processo imunológico envolve uma rede muito complexa de fatores bioquímicos, neurohormonais e componentes imunológicos, os quais afetam tanto o sentido de emotividade quanto o sistema imunológico do paciente com Crohn.
Por isso, em muitos casos, o ataque da doença inflamatória é exacerbada pelo stress psicológico, e, muitas vezes, o tratamento do problema psicológico permite uma melhora na sintomatologia da inflamação intestinal. Discussões psicoterapêuticas, relaxamento, psicoterapia individual ou grupal, e treinamento podem melhorar os sintomas físicos e as condições gerais dos pacientes.
CONVIVENDO COM A DOENÇA DE CROHN
As doenças inflamatórias intestinais crônicas, que incluem a doença de Crohn e a colite ulcerativa, são entidades clínicas cujas causas não foram ainda conclusivamente identificadas. Por esta razão, medicamentos que tratem a causa ainda não estão disponíveis. Aliança terapêutica entre médico e paciente é caracterizada pela experiência subjetiva da doença que o paciente possui e o conhecimento e a experiência do médico que o trata. Não é infrequente a diferença entre os objetivos do tratamento para o médico e a sensação subjetiva do paciente. Todos os pacientes atravessam longos períodos nos quais a doença é melhor aceita, tolerada, e controlada, assim como outros períodos estressantes, nos quais, muitas vezes eles crêem perder a capacidade para lutar contra a enfermidade. Até que melhores métodos de tratamento estejam disponíveis, o tratamento médico limita-se à melhoria da sintomatologia e da qualidade de vida dos pacientes. Uma dieta adequada, um grande número de diferentes fármacos, assim como o tratamento psicológico e cirúrgico, fazem parte de um amplo espectro de métodos disponíveis para os médicos.
Entretanto, quaisquer que sejam os caminhos preconizados pelo médico, desde os métodos mais conservadores até mesmo uma necessidade cirúrgica, é essencial que eles sejam decidido sem uma franca cooperação médico-paciente.
A formação de grupos de auto-ajuda é particularmente importante. Ë onde os pacientes encontrarão outras pessoas com o mesmo tipo de problema, trocarão experiência, aconselhar-se-ão em relação ao comportamento, dieta e muito mais.
O médico, a família e o grupo de auto-ajuda são parte de um círculo social fechado dos pacientes com Crohn. Discussões intensas sobre a compreensão da doença, assim como as estratégias de tratamento, tornam mais fácil ao paciente conviver com a doença e sua compreensão pelo seu círculo social.
DOENÇA DE CROHN E A GRAVIDEZ
A doença de Crohn pode ocorrer em qualquer idade e, inclusive, pode-se manifestar em mulheres na idade fértil. Receios de que esse distúrbio possa afetar o transcurso da gravidez são infundados. Observações de muitos anos têm demonstrado que pacientes portadoras de Crohn durante a gravidez, apresentam melhora nos seus sintomas que parece estar correlacionada ao status hormonal da mulher.
Em muitos casos, tem sido possível a redução de medidas para tratar a inflamação durante a gravidez. Mesmo se a inflamação se tornar ativa nesse período, existem fármacos relativamente seguros para o tratamento, como a mesalazina ou os corticóides. A probabilidade de parto normal e filhos sadios é idêntica entre pessoas portadoras ou não do mal de Crohn.
A colaboração estreita entre o ginecologista e o médico que trata do processo inflamatório é extremamente importante para a detecção precoce e tratamento de qualquer alteração.
DIETA NA DOENÇA DE CROHN
Não existe um padrão dietético para pacientes com Crohn, mas alguns parâmetros nutricionais podem auxiliar os pacientes a evitar erros na dieta. Doces e frutas em compota com alto grau de açúcar exacerbam a atividade da doença em muitas pessoas. Pão branco, pão de forma e comidas altamente condimentadas não fazem parte da dieta para pacientes com doença de Crohn e deveriam ser substituídos por alimentos com alta quantidade de fibras. Importantes fontes de fibra podem ser encontradas em pão integral e em muitos tipos vegetais. As fibras vegetais auxiliam as funções intestinais.
Entretanto, nos casos de constricção intestinal ( redução da luz intestinal ou estenose ); uma dieta pobre em fibras deve ser seguida.
Tanto médico como paciente precisam estar atentos à possibilidade de má nutrição, que pode ocorrer no ataque inflamatório ou mesmo no curso crônico da doença.
Uma deficiência protêica pode ocorrer:
  • Na presença de dieta desbalanceada ou quando o paciente se recusa a se alimentar por causa do medo da dor.
  • Segmentos inflamados do intestino falham na absorção adequada de nutrientes.
  • Secreções inflamatórias com alta quantidade protéica são excretadas através do intestino.
  • Aumento da excreção protéica por envolvimento renal.
Uma deficiência de ferro ocorre como resultado de perda sangüínea severa. Entretanto, mesmo na fase crônica da doença pode ocorrer distúrbio na utilização do ferro. Ele é um elemento muito importante na formação do sangue e no transporte de oxigênio. Por essa razão a dosagem regular e anual de ferro no sangue é necessário.
Por causa da perda de fluídos propiciada pela diarréia, distúrbios do metabolismo de água eletrólitos podem ocorrer. Estas perdas devem ser repostas pela dieta e por líquidos contendo eletrólitos.
Outros oligoelementos, como magnésio, cobre, selênio e zinco, tem um papel importante na função de vários órgãos.
Perdas dessas substâncias podem ser detectadas em "chek – up" de rotina e devem ser acompanhadas por medicamentos.
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO NA DOENÇA DE CROHN
Farmacos anti-inflamatórios devem ser administrados aos primeiros sinais de ativação da doença inflamatória intestinal e mesmo na fase de remição ( quando se torna crônica com redução dos sintomas ) da doença.
CORTISONA
Corticosteroides ( prednisolona e metilprednisolona ) são um dos farmacos mais importantes no ataque da doença de Crohn; sua ação á mais eficaz quando a porção envolvida é o intestino delgado. Uma vez reduzida a atividade da doença, os corticoides devem ser gradualmente interrompidos.
SULFASALAZINA
Essa substância tem uma ação antiinflamatória exclusiva no intestino grosso, quando a sua molécula é quebrada pela bactérias presentes na flora intestinal em mesalazina e sulfapiridina, sendo que somente a mesalazina possui ação antiinflamatória local.
MESALAZINA
A mesalazina foi desenvolvida por causa dos efeitos colaterais que ocorrem com a sulfasalazina, os quais são largamente atribuídos à fração sulfonamida da substância. Muitos anos de estudo tem mostrado que a atividade antiinflamatória da mesalazina é comparável, ao nível do intestino grosso, à sulfasalazina, mas com muitos menos efeitos colaterais.
Formulações mais recentes da mesalazina tem permitido a ação antiinflamatória desde o duodeno até o reto, sendo que esta não é afetada pela presença da diarréia. A mesalazina é disponível sob a forma de comprimidos, supositórios e enema.
OUTROS fármacos também estão disponíveis para o tratamento da doença de Crohn, como o metronidazol , azatioprina , mercapitorina e ciclosporina. São farmacos que devem ser utilizados por curtos espaço de tempo e na agudização severa da enfermidade.
Finalmente, o objetivo de todo o tratamento da doença de Crohn é debelar o processo inflamatório tão eficazmente quando possível. O tratamento médico, a dieta apropriada, o acompanhamento psicológico estendem a fase de remissão da doença ao máximo possível, tornando os episódios de ataque agudos raros. Os pacientes tornam-se assintomáticos e podem continuar sua vida normal, obtendo uma alta qualidade de vida.

Doenças do Sistema Nervoso

INTRODUÇÃO

da disciplina de Ciências Naturais.
Neste trabalho vamos falar sobre as doenças do sistema nervoso. Este pode ser atacado por vírus, bactérias e parasitas.
Consideramos o tema bastante interessante, uma vez que é uma oportunidade de aprofundar mais este tema o que se pode reflectir positivamente na compreensão da matéria relacionada com o sistema nervoso.

DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO
 
Acidente Vascular Cerebral (AVC)
É um distúrbio grave do sistema nervoso. Pode ser causado tanto pela obstrução de uma artéria, que leva à isquemia de uma área do cérebro, como por uma ruptura arterial seguida de derrame. Os neurónios alimentados pela artéria atingida ficam sem oxigenação e morrem, estabelecendo-se uma lesão neurológica irreversível. A percentagem de óbitos entre as pessoas atingidas por AVC é de 20 a 30% e, dos sobreviventes, muitos passam a apresentar problemas motores e de fala.
Algum dos factores que favorecem o AVC são a hipertensão arterial, a elevada taxa de colesterol no sangue, a obesidade, o diabetes melito, o uso de pílulas anticoncepcionais e o hábito de fumar.
Ataques Epilépticos
Epilepsia não é uma doença mas sim um sintoma que pode ocorrer em diferentes formas clínicas. As epilepsias aparecem, na maioria dos casos, antes dos 18 anos de idade e podem ter várias causas, tais como anomalias congénitas, doenças degenerativas do sistema nervoso, infecções, lesões decorrentes de traumatismo craniano, tumores cerebrais, etc.
Cefaleias
As Cefaleias são dores de cabeça que se podem propagar pela face, atingindo os dentes e o pescoço. A sua origem está associada a diversos factores como tensão emocional, distúrbios visuais e hormonais, hipertensão arterial, infecções, sinusites, etc.
A enxaqueca é um tipo de doença que ataca periodicamente a pessoa e se caracteriza por uma dor latejante, que geralmente afecta metade da cabeça. As enxaquecas são frequentemente acompanhadas de foto fobia (aversão a luz), distúrbios visuais, náuseas, vómitos, dificuldades em se concentrar, etc. As crises de enxaqueca podem ser desencadeadas por diversos factores, tais como tensão emocional, tensão pré-menstrual, fadiga, actividade física excessiva, jejum, etc.
Doenças degenerativas do sistema nervoso
Existem vários factores que podem causar morte celular e degeneração. Esses factores podem ser mutações genéticas, infecções virais, drogas psicotrópicas, intoxicação por metais, poluição, etc. As doenças nervosas degenerativas mais conhecidas são a esclerose múltipla, a doença de Parkinson, a doença de Huntington e a doença de Alzheimer.
Esclerose Múltipla
Manifesta-se por volta dos 25 a 30 anos de idade e é mais frequente nas mulheres. Os primeiros sintomas são alterações da sensibilidade e fraqueza muscular. Pode ocorrer perda da capacidade de andar, distúrbios emocionais, incontinência urinária, quedas de pressão, sudorese intensa, etc. Quando o nervo óptico é atingido, pode ocorrer diplopia (visão dupla ). 
Doença de Parkinson
Manifesta-se geralmente a partir dos 60 anos de idade e é causada por alterações nos neurónios que constituem a "substância negra" e o corpo estriado, dois importantes centros motores do cérebro. A pessoa afectada passa a apresentar movimentos lentos, rigidez corporal, tremor incontrolável, além de acentuada redução na quantidade de dopamina, substância neurotransmissora fabricada pelos neurónios do corpo.
Doença de Huntington
Começa a manifestar-se por volta dos 40 anos de idade. A pessoa perde progressivamente a coordenação dos movimentos voluntários, a capacidade intelectual e a memória. Esta doença é causada pela morte dos neurónios do corpo estriado. Pode ser hereditária, causada por uma mutação genética.
Doença de Alzheimer
 Esta doença manifesta-se por volta dos cinquenta anos e caracteriza-se por uma deterioração intelectual profunda, desorientando a pessoa que perde, progressivamente a memória, as capacidades de aprender e de falar.
Esta doença é considerada a primeira causa de demência senil. A expectativa média de vida de quem sofre desta moléstia é entre cinco e dez anos, embora actualmente muitos pacientes sobrevivam por 15 anos ou mais.
Através do Alzheiner, ocorrem alterações em diversos grupos de neurónios do cortex-cerebral e é uma doença hereditária.
Não existe uma prevenção possível para esta doença. Só um tratamento médico-psicológico intensivo do paciente, que visa mantê-lo o maior tempo possível em seu tempo normal de vida. Com a ajuda da família e a organização de uma assistência médico-social diversificada é possível retardar a evolução da doença.
Em 1993, a Food and Drug Administration autorizou a comercialização nos Estados Unidos, do primeiro remédio contra a doença - THA (tetrahidro-amino-acrime) ou tacrine.
Doenças infecciosas do sistema nervoso
Vírus, bactérias, protozoários e vermes podem parasitar o sistema nervoso, causando doenças de gravidade que depende do tipo de agente infeccioso, do seu estado físico e da idade da pessoa afectada.
Existem diversos tipos de vírus podem atingir as meninges (membranas que envolvem o sistema nervoso central), causando as meningites virais. Se o encéfalo for afectado, fala-se de encefalites. Se a medula espinal for afectada, fala-se de poliomielite. Infecções bacterianas também podem causar meningites.
O protozoário Plasmodium falciparum causa a malária cerebral, que se desenvolve em cerca de 2 a 10% dos pacientes. Destes, cerca de 25% morrem em consequência da infecção. O verme platelminto Taenia solium (a solitária do porco) pode, em certos casos, atingir o cérebro, causando cisticercose cerebral. A pessoa adquire a doença através da ingestão de alimentos contaminados com ovos de tênia. Os sintomas são semelhantes aos das epilepsias.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Efeitos Fisiológicos do Exercício Aeróbico no Paciente Hipertenso

Resumo: A hipertensão arterial sistêmica continua sendo uma das maiores causas de morbidade cardiovascular, atingido, cerca de 15 por cento da população adulta no Brasil. Este artigo apresenta uma revisão da literatura, discutindo os principais efeitos fisiológicos decorrentes do exercício físico aeróbio em pacientes hipertensos. São discutidos os fatores hemodinâmicos, autonômicos e neuroendócrinos que afetam os sistemas cardiovascular e musculoesquelético. É de consenso o efeito benéfico do exercício na terapêutica da hipertensão arterial sistêmica, por isso o artigo também trabalha aspectos a respeito da prescrição da reabilitação cardiovascular, destacando exercícios aeróbios, para a hipertensão arterial.

Abstract: The systemic hypertension arterial remains a major cause of cardiovascular morbidity, reached, about 15% of the adult population in Brazil. This article presents a review of the literature, discussing the main physiological effects arising from aerobic exercise in hypertensive patients. The factors are discussed hemodynamic, and autonomic neuroendocrine that affect the cardiovascular and musculoskeletal systems. It is consensus the beneficial effect of exercise in the treatment of systemic hypertension, so the product also works aspects regarding the prescription of cardiovascular rehabilitation, which includes aerobic exercises for hypertension.

HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA:

Denomina-se hipertensão arterial sistêmica (HAS) a situação clínica caracterizada por elevação dos níveis tensionais acima dos valores normais da pressão arterial sistêmica. Trata-se de uma moléstia de múltiplas etiologias, fisiopatogenia multifatorial e pode ou não ser acompanhada de lesões em seus órgãos-alvo (vasos, coração, retina, rins e etc.) (RIBEIRO, 1996).

O atual conceito de HAS inclui alterações hemodinâmicas, tróficas e metabólicas. Acredita-se que a associação destas alterações em um indivíduo tenha base genética (intrínseca), podendo também haver influências ambiental ou estilo de vida (NOBRE, 2000).

De acordo com RIBEIRO (1996), em 90 a 95 % dos casos não há uma causa para a elevação tensional e a HAS é denominada primária ou essencial. Em uma minoria de pacientes (5 a 10 %) pode-se identificar uma causa específica (como: endócrinas, renal, coarctação da aorta e aortites, substâncias exógenas, induzida pela gravidez, doenças neurológicas e cirurgias) denominando-se hipertensão secundária.

De acordo com o VII Consenso Brasileiro para o Tratamento da Hipertensão Arterial -JAMA (2003), cerca de 14 milhões de brasileiros são hipertensos, sendo 15% desse total são adultos em idade economicamente ativa, aumentando consideravelmente os custos sociais por invalidez e absenteísmo ao trabalho. Segundo LATERZA et al (2007), estudos epidemiológicos demonstram que no mundo, um em cada cinco indivíduos com idade superior a 18 anos, apresenta hipertensão arterial.

Para SILVA e SOUZA (2004), os fatores de risco para a hipertensão podem ser classificados como fatores não modificáveis e modificáveis. Dentre os fatores não modificáveis temos: idade, hereditariedade e sexo. E entre os modificáveis temos: hábitos sociais, uso de anticoncepcionais, tabagismo, padrões alimentares, aspectos físicos, sedentarismo e obesidade.

O diagnóstico da hipertensão arterial é estabelecido com medida de pressão realizado com métodos e condições (critérios da Sociedade Brasileira de Cardiologia – V Diretrizes Brasileira da Hipertensão arterial):
  1. Certificar-se que o paciente não está com a bexiga cheia; praticou exercícios físicos; ingeriu bebida alcoólica; café; alimentos ou fumo até 30 minutos antes. Manter pernas descruzadas e braços na altura do coração;
  2. Deixar o paciente descansar por 5 a 10 minutos;
  3. Usar manguito de tamanho adequado (bolsa de borracha com largura = 40% e comprimento = 80% da circunferência do braço);
  4. Palpar o pulso radial e inflar até seu desaparecimento para estimar a Sistólica;
  5. Posicionar a campânula do estetoscópio sobre a artéria braquial;
  6. Inflar rapidamente até ultrapassar 20 a 30 mmHg o nível estimado da pressão Sistólica. Desinflar lentamente;
  7. Determinar a Sistólica no aparecimento dos sons e diastólica no desaparecimento dos sons. Não arredondar os valores para dígitos terminados em 0 ou 5.

FISIOPATOLOGIA DA HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA:

Os principais mecanismos responsáveis pelo estado hipertensivo são: mecanismos cardíacos, neurais, renais e estruturais vasculares. O envolvimento de cada um destes mecanismos está na dependência da etiologia do quadro hipertensivo (BOHR, 1991; TAVARES, 1996).

O padrão hemodinâmico clássico do paciente hipertenso é a presença de um débito cardíaco normal ou até discretamente diminuído associado o importante aumento da resistência periférica. O controle da PA é realizado através de sensores periféricos aonde as variações da pressão arterial, da oxigenação e do pH sanguíneos e do retorno do sangue venoso ao coração são detectadas. Estas informações são integradas ao nível do tronco cerebral de onde emergem respostas neurais simpáticas e parassimpáticas para o coração e vasos sanguíneos, bem como respostas hormonais (angiotensina II, vasopressina, adrenalina e noradrenalina), visando à correção da anormalidade que originou a resposta neural. Os mecanismos neuro-hormonais de manutenção da pressão arterial em normotensos continuam ativos na hipertensão arterial crônica, embora nesta última a sua eficiência possa estar diminuída (BOHR, 1991; TIMERMAN, 2000).
O rim pode estar envolvido na fisiopatogenia da hipertensão arterial através de três mecanismos diferentes: I- Retenção de sódio; II- Aumento na secreção de renina; e III- Diminuição na síntese / liberação do vasodilatador medulipina (TIMERMAN, 2000).

EXERCÍCIOS AERÓBIOS:

De acordo com COOPER (1972), os exercícios aeróbicos referem-se à variedade de exercícios que estimulam as atividades do coração e dos pulmões durante um período de tempo suficientemente longo, de forma a produzir modificações benéficas no organismo.

O treinamento aeróbio tem como objetivo a melhora da capacidade aeróbia, uma vez que aumenta a capacidade cardiopulmonar, o VO2máx (consumo máximo de oxigênio), e a endurance; assim como pode ser usado para a redução do peso corporal (e também percentual de gordura), ou ainda pode ter como objetivo final a melhora da saúde e qualidade de vida do indivíduo num contesto global. (LORETE, R.1)
Os exercícios aeróbicos melhoram a auto-estima; a qualidade de vida; promovem alterações nos batimentos cardíacos tornando-os mais lentos e mais fortes; estabilização saudável da pressão arterial; redução das taxas de LDL e aumento das de HDL; melhora da função sexual; fortalecimento dos ossos; redução do stress; melhora do sono; redução da ansiedade; aumento da capacidade de raciocínio; diminuição do risco de coronariopatias, infarto, diabetes e hipertensão (LORETE, R.2).

Prescrição de exercícios:

A prescrição de exercícios para o hipertenso deve ser individualizada, levando-se em conta as condições clínicas e cardiológicas, as habilidades e aptidões, o grau sociocultural do indivíduo e as facilidades que a comunidade oferece. É importante que o programa a ser realizado se baseie em resultados obtidos em testes ergométricos, com monitorizarão da curva de PA, através da qual se verificam respostas anormais ao exercício. A atividade física deve sempre ser realizada, passando-se pelas seguintes fases: período de aquecimento; período de condicionamento e desaquecimento ou "volta à calma” (VIEIRA apud Chobanian et al., 2004).

LATERZA et. al (2007) recomenda para o paciente hipertenso, exercício físico do tipo aeróbio, isto é, exercícios de longa duração, envolvendo grandes grupos musculares em movimentos cíclicos, como andar, correr, pedalar ou nadar . No entanto, atualmente tem sido recomendado que os exercícios aeróbios sejam complementados por exercícios localizados, realizados também de forma dinâmica com baixa intensidade e grande número de repetições. Dessa forma se obteria uma melhor integridade do sistema musculo-esquelético e um aumento da força muscular que levaria a uma diminuição da sobrecarga diária ao coração, por redução da FC e da PA durante os esforços da vida cotidiana (MANO, 2007).

Autores como LATERZA et. al (2007) afirmam que o treinamento físico aeróbio possibilita redução pressórica mesmo naqueles pacientes hipertensos que estão sob a utilização de medicamentos anti-hipertensivos, acarretando uma diminuição da dose ou, em alguns casos, até mesmo a suspensão da medicação.

A intensidade do exercício geralmente é prescrita como um percentual da capacidade funcional individual, utilizando a FC, o índice de percepção do esforço (escala de Borg), o número de METs ou o gasto energético estimado (VO2) para realizar os ajustes à intensidade desejada (VIEIRA apud Hunt, Baker & Chin, 2004). De uma maneira geral vários estudos apontam que um programa de exercícios de intensidade moderada é o mais indicado para reduzir a pressão arterial. (SILVEIRA et. al, 2007).

MANO (2007) aconselha que o exercício aeróbio de intensidade adequada para a redução da pressão arterial é aquele que atinge de 50 a 70% do VO2 Max. Esse valor pode ser deduzido pela FC de reserva calculada pela fórmula: FC treino = (FC Max - FC repouso) X % intensidade (50 a 70) + FC repouso. Para os exercícios localizados recomenda-se o uso de 40 a 50% da carga máxima voluntária com grande número de repetições (20 a 25).

Em relação à duração da sessão FORJAZ et al (1998), sugere que o exercício prolongado tenha um efeito hipotensor pós-exercício maior que o de curta duração.De acordo com LATERZA (2007) a duração de exercício para o paciente hipertenso deve ser de 30 a 60 minutos.
Para que haja algum efeito hipotensor pós-exercício MANO (2007) recomenda uma freqüência mínima de 3 vezes por semana. Freqüências de exercícios semanais maiores produzem maior efeito hipotensor. Quanto a exercícios localizados recomenda-se a freqüência de 3 sessões semanais.

EFEITOS FISIOLÓGICOS DO EXERCÍCIO AERÓBIO

Efeitos Cardiovasculares:

Segundo PASSARO & GODOY (1996) os efeitos benéficos do exercício na hipertensão arterial sistêmica são decorrentes de fatores como diminuição do peso e colesterol, e também as alterações no sistema cardiovascular.

A hipotensão pós-exercício é a redução dos níveis de pressão arterial e sua permanência abaixo dos níveis pré-exercício (CUNHA et al.,2006). A magnitude da hipotensão pós-exercício pode ser modulada por diversos fatores, como o nível inicial da pressão arterial, a duração e intensidade do exercício físico realizado (LATERZA et al., 2007).

Estudo realizado por RONDON et al. (2002) demonstrou que o mecanismo responsável pela diminuição da pressão arterial (PA) é decorrente da diminuição do débito cardíaco provocada pela redução no volume sistólico devido ao menor enchimento ventricular, uma vez que a resistência vascular periférica não era modificada nesses pacientes. Entretanto, em alguns hipertensos, o mecanismo responsável pela queda pressórica pós-exercício parece estar relacionado à menor resistência vascular periférica. A redução da PA pode ainda estar relacionada à vasodilatação provocada pelo exercício nas musculaturas ativa e inativa, ao aumento do fluxo sanguíneo decorrente da redução do tônus simpático e o conseqüente acréscimo da vasodilatação periférica e à alterações funcionais dos pressorreceptores arteriais e cardiopulmonares (MONTEIRO & FILHO, 2004).

Melhora da Capacidade Oxidativa da Musculatura Esquelética:

Com o treinamento físico, a musculatura esquelética desenvolve grandes adaptações na estrutura protéica miofibrilar, na sua composição enzimática e na densidade capilar (CASTRO et al., 2005). RENNÓ et al. (2002), relatam que o exercício aeróbio facilita a síntese e a retenção de proteínas. BOTELHO et al. (2000), confirmam a ocorrência de vasodilatação funcional, o aumento da vascularização muscular e da atividade das enzimas aeróbicas e a redução do acúmulo de lactato muscular. KISNER & COLBY (2005), observam o aumento da densidade capilar, o que para SOUZA et al. (2001), proporciona melhor acomodação do débito cardíaco, e conseqüentemente, menor resistência periférica.

O exercício aeróbio aumenta a condutância vascular e diminui citoquinas, que contribuem para melhora da capacidade oxidativa muscular e da capacidade física de pacientes com hipertensão arterial (BRUM et al., 2004). Entre as alterações que facilitam a difusão do oxigênio estão: a hipertrofia muscular, o aumento no número e tamanho das mitocôndrias e uma maior concentração de mioglobina muscular (KISNER & COLBY, 2005).

Segundo AMODEO & LIMA (1996), com o exercício aeróbico ocorre uma diminuição na proporção de fibras musculares estriadas do tipo IIb, que são menos vascularizadas e menos resistentes à ação da insulina. SOUZA et al. (2001) explicam que a elevação do nível de insulina ocorre em indivíduos não obesos hipertensos que apresentam resistência periférica à ação desse hormônio devido ao número aumentado de fibras tipo IIb. Para BOTELHO et al. (2000), a adaptação ao exercício físico melhora a sensibilidade periférica tecidual à insulina, resultando em menor secreção desse hormônio.

O sistema de transporte do oxigênio sofre uma adaptação favorável com o treinamento físico, que se exterioriza através de maiores valores de VO2 máx. O treinamento físico aumenta a diferença artério-venosa de oxigênio. Nos pacientes portadores de cardiopatia, o treinamento aumenta em 10% a 30% o VO2 máx, sendo este aumento mais evidente nos primeiros três meses de treinamento (CASTRO et al., 2005).
As alterações celulares provocadas pelo treinamento físico aeróbico na musculatura esquelética de pacientes hipertensos provavelmente são os mecanismos adaptativos mais importantes envolvidos na melhora da capacidade ao exercício (SERRUYA & PIMENTEL, 2000).

Efeitos Humorais:

LATERZA et. al (2007) afirmam que a atividade nervosa simpática e a subseqüente liberação de noradrenalina norteiam respostas taquicárdicas (aumento no débito cardíaco) e vasoconstritoras (aumento na resistência vascular periférica). Dessa forma, uma possível diminuição do tônus simpático para o coração e os vasos poderia estar associada à diminuição dos níveis pressóricos.

MONTEIRO & FILHO (2007) atribuem a redução da pressão arterial após exercício físico em hipertensos a alterações humorais relacionadas à produção de substâncias vasoativas, como o peptídeo natriurético atrial ou ouabaína-like, modulada centralmente. Ocorre, também, melhora na sensibilidade à insulina além da redução da noradrenalina plasmática, sugerindo redução da atividade nervosa simpática, associada ao aumento da taurina sérica e prostaglandina E, que inibem a liberação de noradrenalina nas terminações nervosas simpáticas e redução do fator ouabaína-like, que provocaria recaptação de noradrenalina nas fendas sinápticas. Essa hipótese é contestada, uma vez que pode ser demonstrada redução da pressão arterial mesmo antes de haver redução nos níveis de noradrenalina plasmáticos.

OBJETIVOS:

É consenso os efeitos benéficos do exercício no tratamento da hipertensão. Sabendo disso, o presente trabalho visa descrever os principais efeitos fisiológicos do exercício aeróbio na hipertensão arterial sistêmica.

METODOLOGIA:

Esse artigo de revisão bibliográfica foi realizado com base em artigos científicos sobre o exercício aeróbio no tratamento da hipertensão arterial sistêmica revisados em bases de dados como Bireme, Scielo, Lilacs e Google.

CONCLUSÃO:

A HAS não pode ser vista apenas pelo aspecto das cifras tensionais elevadas. Na verdade ela existe num contexto sindrômico, com alterações hemodinâmicas, tróficas e metabólicas. Sendo os componentes da síndrome hipertensiva muitas vezes fatores de risco cardiovascular independentes. A doença hipertensiva é um dos problemas de saúde pública de maior prevalência na população e representa o maior e mais perigoso fator de risco para a progressão e/ou desenvolvimento de doenças cardiovasculares, apresentando altos índices de morbimortalidade pelo acometimento dos chamados órgãos alvos.
A prática regular de exercício físico aeróbio provoca adaptações autonômicas e hemodinâmicas que melhoram, de forma expressiva, o funcionamento do sistema cardiovascular, contribuindo para a redução da pressão arterial em hipertensos, tanto por um componente agudo tardio como pelo efeito crônico da repetição periódica e freqüente do exercício físico, tendo, portanto, importante papel como elemento não medicamentoso para o seu controle ou como adjuvante ao tratamento medicamentoso.
O conhecimento da interação entre exercício físico e hipertensão arterial, pode contribuir para o melhor uso desse potente e barato instrumento de reabilitação e promoção da saúde.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
AMODEO, C.; LIMA, N. K. C. Tratamento Não Medicamentoso da Hipertensão Arterial. Simpósio: Hipertensão Arterial. Ribeirão Preto, n. 29, p. 239-243, abr./set., 1996.
Bohr, D; Dominiczak, A.F.; Webb, R.C.; Pathophysiology of vasculature in hypertension. Hypertension, 18 (Suppl III); III-69-III-75, 1991.
BOTELHO, A. P. V.; LIMA, M. R. S.; OEHLING, G. A. C. Atividade Física como Prevenção de Fatores de Risco da Doença Arterial Coronariana. In: REGENGA, M. M. Fisioterapia em Cardiologia: da UTI à Reabilitação. 1 ed. São Paulo: Roca, 2000.
BRUM, P. C.; FORJAZ, C. L. M.; TINUCCI, Taís; NEGRÃO, C. E.. Adaptações Agudas e Crônicas do Exercício Físico no Sistema Cardiovascular. Revista Paulista de Educação Física. São Paulo, v. 18, p. 21-31, ago., 2004.
COOPER, K. Capacidade Aeróbica. 2ª ed. Rio de Janeiro. Ed. Fórum, 1972.
CASTRO, R. R. T.; NEGRÃO, C. E.; STEIN, R.; SERRA, S. M.; TEIXEIRA, J. A. C.; CARVALHO, T.; ARAÚJO, C. G. S.; ALVES, M. J. N. N. Diretriz de Reabilitação Cardíaca. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 84, n. 5, mai., 2005.
CUNHA, G.A.; RIOS, A.C.S.; MORENO, J.R; BRAGA, P.L.; CAMPBELL, C.S.G.; SIMÕES, H.G.; DENADAI, M.L.D.R. Hipotensão Pós-exercício em Hipertensos Submetidos ao Exercício Aeróbio de Intensidades Variadas e Exercício de Intensidade Constante. Rev Bras Med Esporte v.12 n.6 Niterói nov./dez. 2006.
Forjaz, C.L.M.; Santanella, D.F.; Rezende, L.O.; Barreto, A.C.; Negrão, C.E. A duração do exercício determina a magnitude e a duração da hipotensãopós-exercício. Arq Bras Cardiol;70:99-104. 1998.
KISNER, C.; COLBY, L. A. Exercícios Terapêuticos: Fundamentos e Técnicas. 4 ed. São Paulo: Manole, 2005.
LATERZA, M. C.; RONDON, M.U.P.B.; NEGRÃO, C.E. Efeito Anti-hipertensivo do Exercício. Rev Bras Hipertens vol.14(2): 104-111, 2007
LORETE, R1 Exercício Aeróbico. Disponível em: <http://www.saudenarede.com.br/Exercicio_Aerobio >.Acesso em: 12 out. 2007.
LORETE, R.2 Os benefícios da prática de atividades físicas Parte I. Disponível em: <http://www.saudenarede.com.br/OS_BENEFICIOS_DA_PRATICA_DE_ATIVIDADES_FISICAS_PARTE_I >.Acesso em: 13 out. 2007.
MANO, R. Fisiopatologia da Hipertensão Arterial. Resumo da OMS-WHO Disponível em: <http://www.manuaisdecardiologia.med.br/has/Pag12.htm>. Acesso em: 23 set. 2007.
MANO, R. Hipertensão Arterial Sistêmica. Manuais de Cardiologia. MS, nov. 2007. Disponível em: <http://www.manuaisdecardiologia.med.br/has/has.htm>. Acesso em: 20 out. 2007.
Monteiro, M. F.; Filho, D. C. S. Exercício físico e o controle da pressão arterial. Rev Bras Med Esporte. Vol. 10, n. 6 – Nov/Dez,p.113-116, 2004
NOBRE, F. Hipertensão arterial: conceito, classificação e critérios diagnósticos. Manual de Cardiologia, SOCESP. São Paulo: Atheneu, 2000. 590p. p.303
Passaro, L. C; Godoy, M. Reabilitação cardiovascular na hipertensão arterial. Rev. Soc. Cardiol. Estado de São Paulo; 6(1):45-58, jan.-fev. 1996.
RENNÓ, A. C. M.; FAGANELLO, F. R.; FERREIRA, V.; GRANITO, R. N.; DRIUSSO, P.; OISHI, J. Atividade Física e Terceira Idade. Revista Fisioterapia UNICID, v. 1, n. 2, p. 129-134, jul./dez., 2002.
RIBEIRO,A.B. Conceito, determinação e classificação da hipertensão atual. Atualização em hipertensão arterial: clínica, diagnóstico e terapêutica. Artur Betrame Ribeiro. São Paulo: Atheneu, 1996. 231p. p. 1-7
Rondon, M. U. P. B.; Alves, M.J.N.N.; Braga, A.M.F.W. Postexercise blood pressure reduction in elderly hypertensive patients. JACC;39:676-82. 2002.
SERRUYA, M. A.; PIMENTEL, S. Atividade Física no Paciente Cardiomiopata. In: REGENGA, M. M. Fisioterapia em Cardiologia: da UTI à Reabilitação. 1 ed. São Paulo: Roca, 2000.
SILVA,J.L.L., SOUZA,S.L. Fatores de risco para hipertensão arterial sistêmica versus estilo de vida docente. Revista Eletrônica de Enfermagem, vol 06, nº 03, p. 330-335, 2004. Disponível em:<http:// www.fen.ufg.br>
SILVEIRA, M. G.; NAGEM, M.P.; MENDES, R.R. Exercício Físico como Fator de Prevenção e Tratamento da Hipertensão Arterial. Revista Digital - Buenos Aires - Ano 11 - N° 106 - Março de 2007.
SOUZA, P. N.; CAROMANO, F. A.; SANTOS, G. A. Hipertensão Leve e Exercício Físico: o que o Fisioterapeuta deve saber. Revista Fisioterapia da Universidade de São Paulo, v. 8, n. 1, p. 11-18, jan./jul., 2001.
TAVARES, A.; JÚNIOR, O.K. Fisiopatologia da hipertensão arterial. In: Ribeiro, A.B. Atualização em hipertensão arterial: clínica, diagnóstico e terapêutica. Ed. Atheneu: São Paulo. Capítulo 3. 21-32 p. 1996.
TIMERMAN, A.; CÉSAR, L.A.M. Manual de Cardiologia. 1.ed. São Paulo. Ed. Atheneu, 2000. 590p.
VIEIRA, Z.M.; GOULART, J.C.T.; FIAMONCINI, R.L. GALLI, G.B. Atividade Física e Hipertensão. Revista Digital – Buenos Aires – ano10. no 77; outubro 2004.
IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, Sociedade Brasileira de Hipertensão, Sociedade Brasileira de Cardiologia e Sociedade Brasileira de Nefrologia, Campos do Jordão-SP, 2002
V DIRETRIZES BRASILEIRA DE HIPERTENSAO ARTERIAL. Arquivo Brasileiro de Cardiologia. Vol. 82, (suplemento IV), 2004.
Obs:
- Todo crédito e responsabilidade do conteúdo é de seu autor.
- Publicado em 17/11/2010.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O PROCESSO INFLAMATÓRIO.

INTRODUÇÃO

A participação de células no processo inflamatório começou a ser destacada na segunda metade do século XIX, dentre outros, com Virchow, Arnold e Metchnikoff, que descreveram o papel de células próprias do tecido e migratórias, bem como o fenômeno da fagocitose. No século atual, outras descobertas vieram enriquecer mais o nosso conhecimento sobre as células participantes da inflamação, como o envolvimento de mastócitos na reação tríplice cutânea descrita em 1927 por Lewis, o macrófago na constituição dos granulomas, o linfócito como célula imunocompetente.

A seguir, o leitor terá a oportunidade de conhecer um pouco sobre a morfologia e função destas e de outras células que estão presentes durante o desenvolvimento de uma reação inflamatória.

CÉLULAS DO PROCESSO INFLAMATÓRIO:

As células que participam da reação inflamatória foram classificadas por Spector (1980), da seguinte forma:
􀂾 células endoteliais
􀂾 células próprias do tecido (mastócitos, fibroblastos e macrófagos fixos)
􀂾 células migratórias (leucócitos sangüíneos)

Células endoteliais

Há poucos anos ainda se considerava a célula endotelial como uma membrana celular passiva, que forma a interface entre o sangue e os tecidos, dado a sua estrutura simples, com escassez de organelas celulares quando vista ao microscópio de luz. Na atualidade, nosso conceito de endotélio foi radicalmente mudado, pois ficou claro que a célula endotelial é um componente funcionalmente ativo da parede vascular, capaz de mostrar diversas propriedades metabólicas, de síntese e regenerativas, estando implicada na regulação de vários fenômenos, tais como: fluxo sangüíneo, coagulação, proliferação de células da parede vascular, reatividade imunológica, resposta do organismo a estímulos patogênicos.

1)- Um Departamento de Patologia Veterinária, FCAV-UNESP, campus de Jaboticabal-SP.
Além do mais, há na atualidade evidência definitiva de que o termo endotélio não se refere a um único tipo celular, mas a uma família de células bastante heterogêneas, com estrutura, função e propriedades metabólicas diistintas, até mesmo dentro de um mesmo orgão.

O endotélio é formado por um epitélio pavimentoso simples. A célula endotelial é pobre em mitocôndrias e lisossomas, mas possui uma quantidade regular de retículo endoplásmico rugoso-RER, complexo de Golgi proeminente e citomembrana rica em sistemas enzimáticos. É importante ressaltar a presença de miofibrilas e de proteínas no citoplasma, como actina e miosina, relacionadas com sua capacidade contrátil. As juncões intercelulares variam um pouco, mas são características estruturas dos tipos zonula occludens e, em menor grau, zonula adherens (Fig. 1). zonula adherenszonula occludensFig. 1 - Tipos de junções entre células endoteliaisNNNlumenNNN.

Entre as funções do endotélio podemos citar: limitada capacidade fagocitária, síntese de colágeno tipo IV, elastina, laminina, fibronectina e glucosaminoglicanos e talvez outros componentes da membrana basal. Secretam colagenases , talvez para permitir a gemação endotelial para a neovascularização, esteróides, prostaglandinas PGE2 e PGF2α , prostaciclina-PGI2, tromboxano e outros mediadores químicos importantes da inflamação. Participam da formação de elementos da cascata da coagulação e do fenômeno da aderência leucocitária graças à secreção da molécula de adesão do endotélio a leucócitos (ELAM). Estes, por sua vez, contribuem com o mesmo fenômeno, secretando moléculas de adesão intracitoplasmática (ICAM).

Células próprias do tecido

MASTÓCITOS: São grandes células esféricas ou ovóides, localizadas de forma preferencial ao redor dos vasos sangüíneos e caracterizadas pela presença de grandes grânulos, que coram-se metacromaticamente (em vermelho) com azul de toluidina (Fig. 2). Aliás, seu nome vem do alemão, mastzellen, que significa célula granulosa. Esses grânulos contém heparina, histamina, dopamina, serotonina e, provavelmente, sacarídeos e ácido hialurônico.

2)- Recentemente, observou-se a heterogeneidade dos mastócitos e a probabilidade de haverem subclasses; o têrmo típico tem sido usado para os mastócitos do tecido conjuntivo subcutâneo e atípico para os de mucosa. Desempenham papel importante na permeabilidade vascular aumentada que ocorre na alergia, urticária e choque anafilático, e na prevenção da coagulação do sangue. Possuem receptores de membrana para a fração C3a do complemento (anafilatoxina) e para a porção Fc de IgE. Fig.2 - Distribuição e morfo-logia de mastócitosVaso sanguineoM NcGM= mastócito; Nc= nucléoloG= grânulo metacromático.
FIBROBLASTOS: É a célula mais comum do tecido conjuntivo frouxo e seu formato depende essencialmente de sua localização. De um modo geral, é uma célula fusiforme ou estrelada, com núcleo alongado e hipocrômico nas células jovens (fibroblastos) ou fusiforme e hipercrômico nas adultas (fibrocitos) (Fig. 3). O marcado desenvolvimento de seu RER e a existência de um nucléolo muito evidente indicam uma capacidade de síntese protéica intensa. Seu papel principal é a síntese de colágeno para a reparação de tecidos, e um tipo especial desta linhagem celular, o miofibroblasto, é fundamental para a retração cicatricial. À microscopia eletrônica, as fibrilas de colágeno apresentam uma periodicidade com bandas transversais, à semelhança de fibras musculares estriadas. Fig. 3 - Fibroblasto jovem e fibrilas de colágenoREMNcCNc= nucléolo; M= mitocôndria; RE=retículoendoplásmico rugoso;C= colágeno.

MACRÓFAGOS FIXOS OU RESIDENTES: São derivados de monócitos circulantes, que se transformam em macrófagos fixos ao penetrarem os tecidos periféricos. Citam-se como macrófagos fixos ou residentes: células de Kupffer no fígado, macrófagos alveolares nos pulmões, células da microglia no tecido nervoso, siderócitos em órgãos linfóides, macrófagos de cavidades serosas (peritoneais e pleurais), e histiócitos do tecido conjuntivo (Fig. 4).
São células grandes, derivadas de um precursor na medula óssea, o promonoblasto.

3)- Assim como os macrófagos livres, aqueles originados de monócitos circulantes na vigência de uma reação inflamatória, participam do Sistema Fagocítico Mononuclear (SFM) - expressão que substituiu na década de 60 a Sistema Retículo Endotelial (SRE), ainda presente em muitos livros textos. Representam um dos mecanismos mais importantes de defesa celular a microorganismos, através da fagocitose. Outro aspecto de extrema importância destas células é a apresentação antigênica a linfócitos, após processamento do material digerido, para indução da resposta imune. VMNcFig. 4 - O macrófago residente.Nc= nucléolo; M= mitocôndriaV= vesícula citoplasmática.

Células migratórias

NEUTRÓFILOS: São leucócitos granulócitos polimorfonucleares-PMN, formados na medula óssea, e como o próprio nome diz, possuem núcleo pleomórfico, multilobulado, citoplasma granuloso e medem cerca de 10 μm de diâmetro. (Fig. 5). Estão envolvidos nas fases iniciais da inflamação, e em infecções bacterianas, particularmente as causadas por bactérias piogênicas, isto é, produtoras de pus, aparecem em elevado número no sangue e nos tecidos afetados (ex. piometra da cadela). Derivados de precursores da medula óssea, são células terminais, isto é, não se diferenciam em outro tipo celular, e possuem uma vida média curta, de aproximadamente dois a três dias. Este fato, e mais o de que são células extremamente móveis, explica em parte porque predominam nas fases iniciais do processo inflamatório em relação às demais células. Neutrófilos jovens apresentam núcleo em forma de ferradura (neutrófilo bastonete), enquanto os mais adultos, maduros, mostram núcleo bastante lobulado (neutrófilo segmentado). Dá-se os nomes de neutrofilia e neutropenia, respectivamente, ao aumento e à diminuição do número de neutrófilos na circulação periférica. As expressões desvio à esquerda e desvio à direita são utilizadas em Patologia Clínica para o aumento expressivo do número de bastonetes e segmentados na circulação, respectivamente. O citoplasma dos neutrófilos é rico em granulações, que não se coram pelos métodos usuais de coloração, pois não possuem afinidade por tais corantes - daí o nome neutrófilos. Estes grânulos, que são classificados em primários, secundários e terciários, de acordo com suas características de eletrondensidade à microscopia eletrônica, são ricos em enzimas digestivas, como hidrolases, peroxidases e fosfatases ácidas,
Fig. 5 – Neutrófilo bastonete (NB) e neutrófilo segmentado (NS). Notar a riqueza de grânulos citoplasmáticos (G) e mitocôndrias (M).
4
lisozima, etc. Os neutrófilos são caracteristicamente células fagocitárias, com uma membrana celular bastante aderente e suprimento lisossomal generoso em seu citoplasma. A fagocitose é acompanhada por uma atividade metabólica explosiva da célula, com grande aumento no consumo de oxigênio.

EOSINÓFILOS: Derivados de precursores da medula óssea, também são células terminais e granulócitos polimorfonucleares (PMN), medem cerca de 10 μm de diâmetro e possuem atividade fagocitária, mas menos intensa. Seu núcleo é lobulado e o citoplasma possue grânulos eosinofílicos específicos, que apresentam bandas equatoriais como característica peculiar (Fig. 6), e que contém altas concentrações de peroxidase e uma proteina principal básica ("major basic protein - MBP"), que causa danos a parasitas, como já demostrado para o Shistosoma mansoni. Os eosinófilos estão presentes em grande número (eosinofilia) nas helmintoses e em estados alérgicos, associados com reações de hipersensibilidade do tipo I, mediadas por IgE (reagínica). Aparentemente, a histamina é quimiotáxica especificamente para eosinófilos (Clark et al., 1975).

BASÓFILOS: São as células brancas menos numerosas no sangue circulante, correspondendo a 0,5 a 1,5% do total de leucócitos nas espécies animais. Medem de 10 a 12 μm de diâmetro, possuem um núcleo bilobulado ou de formato irregular e citoplasma com grânulos basofílicos, cuja tonalidade varia do azul escuro ao roxo (Fig. 6). São portanto classificados como granulócitos PMN. Assim como os mastócitos, armazenam uma rica bateria de mediadores químicos como histamina e serotonina, por exemplo. E à semelhança dos mastócitos, são caracterizados por receptores que se ligam com grande afinidade à porção Fc da IgE. Apesar das semelhanças, não são idênticos àquelas células. Tem sido implicados em reações de hipersensibilidade tardia. Participam ativamente na resistência adquirida a carrapatos, como tem demonstrado resultados recentes de Szabó e Bechara, e que confirmam dados da literatura especializada (vide referências bibliográficas ao final). Fig. 6 - Eosinófilo à esquerda e basófilo à direita.

LINFÓCITOS E PLASMÓCITOS: Os linfócitos apresentam grande heterogeneidade morfológica e funcional, visto serem extremamente plásticos, e possuem considerável capacidade para mudar de tamanho e formato. São classificados pelos histologistas em pequenos, médios e grandes linfócitos de acordo com suas dimensões (8 a 12 μm) e pelos imunologistas em linfócitos T e B, conforme maturam, respectivamente, no timo e em órgãos semelhantes à bursa de Fabricius das aves.

5)- Ainda segundo os imunologistas, há as células T auxiliares (T helper-Th1 e Th2) e as células T assassinas (T killer). Possuem núcleo esférico, oval ou denteado, mas não lobulado e são destituídos de grânulos específicos citoplasmáticos (Fig. 7); por isso são classificados como agranulócitos mononucleares (MN). Ao contrário dos leucócitos PMN, não são células terminais, e linfócitos B podem diferenciar-se em plasmócitos, células produtoras de anticorpos (imunoglobulinas). Estes possuem um núcleo excêntrico ou periférico e um citoplasma bem acidófilo, associado a intensa síntese protéica; à microscopia eletrônica de transmissão mostram no citoplasma RER bem desenvolvido (Fig. 7). NcNcMMREVVFig. 7 - Linfócito à esquerda e plasmócito à direita.Notar riqueza de retículo endoplásmico (RE)no plasmócito. Nc= nucléolo; M= mitocôndriae V= vesícula citoplasmática.

Os linfócitos se localizam em diversos tecidos e órgãos, às vezes aglomerados em folículos linfóides, mais proeminentes nas mucosas digestiva (placas de Peyer) e respiratória, favorecendo assim a resposta imune do hospedeiro. Linfócitos constituem-se em verdadeiro apanágio da imunologia.

De fato, a maioria dos estudiosos consideram que eles estão presentes em situações de doença sempre que a resposta imune esteja envolvida. Por outro lado, os patologistas ensinam que linfócitos e outras células MN predominam na fase crônica ou tardia das reações inflamatórias. Isso se deve, segundo Paz e Spector (1963), primeiro porque são células “lerdas”, de baixa locomoção e, segundo, porque apresentam meia vida mais longa que os PMN.

Entretanto, na segunda metade dos anos 70, Bechara e Garcia Leme demonstraram a participação destas células em reações inflamatórias agudas, não imunes, através da síntese e liberação de um ou mais fatores, que denominaram de Fator pró-Inflamatório do Linfócito (FpIL). Os resultados destes experimentos vieram explicar porque a drenagem do ducto torácico linfático de pacientes humanos artríticos inibia parcialmente os sinais clínicos dos mesmos, e a reinfusão intravenosa dos linfócitos drenados exacerbava o quadro, como demonstrado por Pearson e colaboradores nos EUA, na década de 70. Mais tarde, demonstrou-se que estes linfócitos deveriam ser de uma subclasse específica, diferente de linfócitos T ou B totalmente diferenciados.

MACRÓFAGOS LIVRES:  São semelhantes aos macrófagos fixos, anteriormente descritos, e derivados de precursores na medula óssea, os promonoblastos, que originam os monócitos circulantes. Na vigência de uma resposta inflamatória, ao migrarem para os tecidos, os monócitos diferenciam-se em macrófagos, células altamente especializadas na fagocitose de microorganismos e outros corpos estranhos ao organismo. Portanto, os monócitos não são células terminais, à semelhança dos linfócitos.

Os macrófagos secretam diversos mediadores, principalmente citocinas, como o fator de necrose tumoral (TNF), interleucinas (ILs), fator ativador de plaquetas (PAF), o fator de macrófagos quimiotáxico para neutrófilos, descrito na 6 década de 80 por Cunha e Ferreira, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP. Eles concentram-se nos focos inflamatórios graças, pelo menos em parte, à ação do fator inibidor da migração de macrófagos (MIF), citocina sintetizada por células ativadas. É sabido também que a fusão de macrófagos leva à formação de células gigantes, gigantócitos ou policariontes de macrófagos, como demonstrado nos anos 70 por Mariano - da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia-USP - e Spector na Inglaterra.
Deve-se destacar aqui que o macrófago é a célula principal do granuloma, tipo especial de inflamação crônica ou persistente. A célula epitelióide, assim chamada pela sua semelhança com a célula epitelial, deriva do macrófago, tem função secretória, e aparece também em reação granulomatosa, como na tuberculose.

EVENTOS CELULARES:

O acúmulo de leucócitos, principalmente neutrófilos e células derivadas de monócitos, é a característica mais importante da reação inflamatória, vindo a constituir-se no verdadeiro elemento do processo. Os leucócitos incorporam e degradam bactérias, complexos imunes e restos de células necróticas, e as suas enzimas lisossomais contribuem de outras formas com a resposta defensiva do hospedeiro. Entretanto, leucócitos podem prolongar a inflamação e aumentar o dano tecidual pela liberação de enzimas, mediadores químicos e radicais livres, que são tóxicos para os tecidos.

A seqüência desses eventos leucocitários pode ser dividida, para fins didáticos, em:

􀂾 marginação,
􀂾 adesão
􀂾 migração e quimiotaxia
􀂾 fagocitose e degradação intracelular
􀂾 liberação extracelular de produtos leucocitários

Marginação:

Em condições normais e, portanto, de fluxo sangüíneo rápido, leucócitos e eritrócitos constituem uma coluna central ou axial, envolta por uma zona periférica de plasma, como representado na Figura 8.
A posição das células nessa coluna depende de seu tamanho relativo. Nos mamíferos, os glóbulos brancos, maiores, ocupam o centro da coluna, zona de movimento mais rápido, enquanto que os glóbulos vermelhos, a periferia da coluna.

Como o fluxo sangüíneo torna-se mais lento e os vasos tornam-se dilatados durante o desenvolvimento do processo inflamatório, a coluna axial mostra-se relativamente mais larga e a zona plasmática, mais estreita, devido ao extravasamento de plasma por aumento da permeabilidade vascular. À medida que o fluxo sangüíneo diminui, os glóbulos vermelhos aderem-se de forma a empilhar-se, o fenômeno do empilhamento ou rouleaux. Esses aglomerados de glóbulos vermelhos têm agora uma massa maior que que a dos glóbulos brancos, os quais são deslocados para a periferia da coluna (Wilhelm, 1977). O deslocamento para fora das células brancas ocorre a baixas velocidades de fluxo, quando é apreciável a agregação de células vermelhas. Esse efeito não é observado a altas velocidades de fluxo, onde a força de arraste é de magnitude superior para romper os agregados eritrocíticos. F A BC Dig. 8 - Fluxos axial (A) e periférico (B) de leucócitos em vasosanguineo. Diapedese (C) e infiltração (D) de leucócitos.

Adesão :

Numa área inflamada, os leucócitos de início aderem-se momentaneamente ao endotélio vascular (Fig. 8). A duração da aderência aumenta gradualmente até que finalmente os leucócitos permanecem em contato estreito com o endotélio (pavimentação). Esta situação expressa a resultante de duas forças: a força de adesão à parede vascular e a força de arraste do fluxo sangüíneo (Atherton e Born, 1972). Um aumento na força de adesão depende de alterações estruturais de moléculas responsáveis pela interação entre a superfície do leucócito e a superfície da célula endotelial. Estas interações têm considerável especificidade para granulócitos. Quando a força de arraste excede a força de adesão (arteríolas), o contato da célula com o endotélio não se processa.

Embora vários fatores possam influenciar a adesão (ex.: Ca++, cargas elétricas de superfície), evidências recentes sugerem que a adesão leucocitária aumentada na inflamação envolve interações específicas entre "moléculas de adesão" presentes nos leucócitos e nas superfícies endoteliais (Hoover & Karnovsky, 1982). A expressão superficial dessas moléculas de adesão é induzida, aumentada ou alterada por agentes inflamatórios e mediadores químicos, tais como: endotoxinas, C5a, peptídeos quimiotáxicos, leucotrieno B4, PAF, IL-1, TNF, transferrina, resultando em adesividade aumentada. Alguns agentes atuam sobre os leucócitos, outros nas células endoteliais e outros em ambos.

Um grupo de moléculas de adesão em leucócitos consiste de uma família de tres glicoproteínas. Em leucócitos normais, não estimulados, estão presentes em compartimentos vesiculares intracelulares, e são conhecidas pela sigla ICAM. As moléculas de adesão presentes em endotélio são as ELAM. O significado destas siglas já foi explicado anteriormente. Alguns mediadores inflamatórios, incluindo fragmentos quimiotáxicos do complemento, estimulam o aumento rápido dessas 8 proteínas na superfície leucocitária, bem como a adesão aumentada dos leucócitos ao endotélio. Assim, pacientes com deficiência genética dessas proteínas de adesão apresentam infecções bacterianas recorrentes e aderência leucocitária deficiente.

Migração :

A migração se refere ao processo pelo qual leucócitos móveis escapam dos vasos sangüíneos para os tecidos perivasculares. Neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos e linfócitos se utilizam do mesmo caminho. Após adesão, os leucócitos se movem ligeiramente ao longo da superfície endotelial e inserem pseudópodos nas junções entre as células endoteliais. Eles deslizam através das junções interendoteliais alargadas, para assumir posição, eventualmente, entre a membrana basal e a célula endotelial. Aí podem permanecer por períodos curtos, mas atravessam depois a membrana basal e escapam para o espaço extravascular.

Eritrócitos também podem deixar os vasos sangüíneos, principalmente nas injúrias severas. Entretanto, ao contrário dos leucócitos, essa saída parece ser passiva, forçada pela pressão intraluminal, seguindo o caminho aberto pelos leucócitos.

O tipo celular presente em uma reação inflamatória varia em número com a idade da lesão e com a natureza do estímulo. Assim, na maioria dos tipos de inflamação aguda, predominam os neutrófilos nas primeiras 6 a 24 horas, sendo substituídos pelos linfócitos, e células derivadas de monócitos (ex.: macrófago) em 24 a 48 horas. Como já mencionado anteriormente, essa seqüencia de eventos pode ser explicada de diversas maneiras, e os possíveis fatores implicados são:

1. os neutrófilos locomovem-se muito rapidamente;

2. os neutrófilos, de vida média curta, desintegram-se e desaparecem depois de 24 a 48 horas;

3. a migração de monócitos é mantida até muito tempo depois de cessada a de neutrófilos;

4. células MN em geral possuem vida média mais longa que a de PMN,

5. fatores quimiotáxicos para neutrófilos e monócitos podem ser ativados em tempos diferentes da reação.
Mas existem as exceções para esse padrão de exsudação celular. Assim, em infecções virais e na nefrite intersticial da leptospirose canina, linfócitos são recrutados em grandes números desde o início. Já na infecção por Pseudomonas sp. neutrófilos prevalecem de 2 a 4 dias no exsudato inflamatório. Szabó e Bechara têm observado infiltrados neutrofílicos na pele de cães infestados por carrapatos, natural ou experimentalmente, mesmo vários dias após a fixação dos ácaros, numa fase tardia da resposta, quando por exemplo em cobaias já predominam células mononucleares.

Fagocitose e Degradação Intracelular.

A fagocitose e a liberação de enzimas pelos neutrófilos e macrófagos constituem os dois principais benefícios do acúmulo de leucócitos no foco inflamatório. A fagocitose envolve três passos distintos, mas interrelacionados: i. a partícula a ser ingerida deve aderir-se à superfície do leucócito, fenômeno que 9 companha o reconhecimento pelo leucócito; ii. endocitose, ou ingestão com formação do vacúolo fagocítico (fagossoma); iii. destruição e/ou degradação do material ingerido. Em seguida, é apresentada breve descrição de cada passo.

RECONHECIMENTO E ADESÃO:

Os macrófagos e neutrófilos podem ocasionalmente reconhecer e ingerir bactérias em ausência de soro (opsonização), mas a maioria dos microorganismos não são reconhecidos até que estejam revestidos por fatores séricos que ocorrem naturalmente, conhecidos por opsoninas. As duas opsoninas principais são os anticorpos das subclasses IgG1 e a IgG3, de ocorrência presumivelmente natural contra partículas ingeridas, e o C3b (fragmento opsônico C3), gerado pela ativação do complemento por mecanismos imunes ou não. As partículas opsonizadas aderem a grupos de receptores correspondentes na superfície de neutrófilos e macrófagos - um grupo para o fragmento Fc das moléculas de IgG e o outro grupo para o C3b.

Trabalhos mais recentes (Mosher et al., 1981; Bevilácqua et al.,1981; Saba, 1982) indicam que a fibronectina, uma glicoproteina, contribui para o melhor desempenho do processo de fagocitose, talvez devido à sua capacidade de se ligar a numerosas substâncias extracelulares e também a superfícies celulares.

ENDOCITOSE OU INGESTÃO:

A ingestão ocorre assim que o fagócito reconhece como estranha uma partícula. A ligação da partícula opsonizada à porção Fc da IgG é suficiente para iniciar a endocitose, mas a ligação aos receptores C3b requer uma ativação desses receptores antes da ocorrência da endocitose. Essa ativação pode ser feita pela ligação simultânea à fibronectina e laminina extracelular ou por produtos solúveis de linfócitos T estimulados, as citocinas. Durante a ingestão, extensões do citoplasma (pseudopodes) circundam o objeto a ser ingerido e englobam a partícula dentro de um vacúolo fagocítico, o fagossomo, formado pela invaginação da membrana citoplasmática da célula. A membrana limitante desse vacúolo fagocítico funde-se então com a membrana limitante do grânulo lisossômico, resultando na descarga do conteúdo dos grânulos dentro do agora chamado fagolisossoma. No decurso desse processo o neutrófilo e o macrófago degranulam-se progressivamente, seguindo-se um vazamento de enzimas hidrolíticas e de produtos metabólicos (ex.: peróxido de hidrogênio) do leucócito para o meio externo, provavelmente através de canais abertos do fagolisossoma. Este processo é chamado de "regurgitação durante alimentação"; é um mecanismo importante porque algumas das enzimas “vomitadas” têm atividade proteolítica e podem causar dano tecidual.

DESTRUIÇÃO E/OU DEGRADAÇÃO. O último passo na fagocitose de bactérias é a morte e a degradação da mesma. Duas categorias de mecanismos bactericidas são reconhecidos: os dependente de oxigênio e os independente de oxigênio.

i. Mecanismos bactericidas dependentes de oxigênio: a fagocitose é um mecanismo dependente de oxigênio que estimula numerosos eventos intracelulares, incluindo uma explosão respiratória (“burst”), glicogenólise, oxidação de glicose aumentada via ciclo da hexose-monofosfato e produção de metabólitos reativos de oxigênio (radicais livres). A geração dos metabólitos do oxigênio é atribuída à rápida ativação de uma oxidase (NADPH oxidase), que oxida o NADPH (dinucleotíde 10 nicotinamida adenina); no processo reduz o oxigênio ao íon superóxido (O2-), de acordo com a seguinte equação química:

2 O2 + NADPH oxidase → 2 O2- + NADPH + H+. O íon superóxido (2 O2-) é então convertido em água oxigenada ou peróxido de hidrogênio (H2O2), principalmente por desmutação espontânea. A oxidase NADPH está presente na membrana ou, quando a membrana está invaginada, no fagolisossoma. Assim, o peróxido de hidrogênio é produzido no lisossoma. Esses metabólitos do oxigênio são as principais armas matadoras de bactérias, podendo atuar de duas maneiras:

Sistema dependente de mieloperoxidase (H2O2-mieloperoxidase-haleto): em que as quantidades de H2O2 produzida no fagolisossoma são insuficientes para matar as bactérias. Entretanto, os grânulos azurrófilos dos neutrófilos contém a enzima mieloperoxidase (MPO), que, na presença de um haleto como o cloreto (Cl-), converte a H2O2 em HOClº, um poderoso agente antioxidante antimicrobiano. Um mecanismo similar é efetivo contra fungos, vírus, protozoários e helmintos. Mas a maior parte de H2O2 é quebrado pela catalase em H2O e O2, e parte é destruida pela ação da glutationa oxidase. Monócitos do sangue também contém grânulos com MPO e usam o sistema H2O2-MPO-haleto para a destruição bacteriana.

Sistema independente de mieloperoxidase (MPO): embora o sistema anterior seja um bactericida muito mais eficiente em neutrófilos, leucócitos deficientes em mieloperoxidase também são capazes de destruir bactérias, embora mais lentamente que células controle. O sistema independente de MPO também requer oxigênio. Os íons superóxido (2 O2-) e hidroxila (OH-), extremamente reativos, também são formados durante o metabolismo oxidativo, foram responsabilizados nessa destruição. Macrófagos maduros ativados em diversas condições também produzem H2O2 mas não possuem a MPO. Dessa forma podem matar bactérias, produzindo quantidades suficientes de H2O2 ou outros radicais tóxicos como OH-
ii. Mecanismos bactericidas independentes de oxigênio: a morte bacteriana pode também ocorrer na ausência de uma explosão oxidativa, por substâncias presentes nos grânulos dos leucócitos. Estas incluem:

1. proteina aumentadora da permeabilidade bacteriana (BPI), uma proteina altamente catiônica associada ao grânulo e que causa alterações na permeabilidade da membrana mais externa de microorganismos;

2. lisozima,que hidroliza as ligações ácido-N-acetil-glucosamina murâmica, presentes no revestimento glicopeptídeo de todas as bactérias;

3. lactoferrina, uma proteína fixadora de ferro presente em grânulos específicos;

4. proteína básica principal, uma proteina catiônica de eosinófilos, que possui uma ação bactericida limitada, mas que é citotóxica para muitos parasitas.
Após a morte bacteriana, hidrolases ácidas presentes em grânulos 11 azurrófilos degradam a bactéria no interior do fagolisossoma. O pH do fagolisossoma diminui para 4 a 5 após a fagocitose, sendo este o pH ótimo para a ação dessas enzimas.

Embora a maioria dos microorganismos sejam prontamente mortos por células rastreadoras (fagocíticas), alguns são suficientemente virulentos para destruir os seus captores. Outros, como o bacilo da tuberculose, são capazes de sobreviver no interior dos fagócitos, abrigando-se contra drogas antimicrobianas e outros mecanismos de defesa, p.e. anticorpos. Quando essas células fagocíticas migram através de linfáticos, infecções como a tuberculose podem se disseminar, é a conhecida generalização precoce ou tardia da tuberculose.

LIBERAÇÃO EXTRACELULAR DE PRODUTOS LEUCOCITÁRIOS :

As perturbações da membrana, que ocorrem nos neutrófilos e monócitos após ligação receptor x elemento reagente durante a quimiotaxia e fagocitose, resultam na liberação de produtos não apenas no fagolisossoma, mas também no espaço intra e extracelular. Os produtos mais importantes são enzimas lisossômicas, metabólitos ativos derivados do oxigênio e produtos do metabolismo do ácido aracdônico, como as prostaglandinas e os leucotrienos. Esses produtos são potentes mediadores dos efeitos vascular e celular da inflamação e da lesão tecidual, e servem para amplificar os efeitos do estímulo inflamatório inicial.
A verdadeira liberação de enzimas lisossômicas durante a fagocitose ocorre de pelo menos tres maneiras:
1. Regurgitação, que pode ocorrer quando o vacúolo fagocítico permanece transitoriamente aberto para o exterior antes do fechamento completo do fagolisossoma, permitindo a saída de hidrolases lisossômicas;

2. Endocitose invertida ou reversa, que ocorre quando os leucócitos são expostos a materiais potencialmente ingeríveis (como imunecomplexos) em superfícies lisas como o endotélio capilar. A adesão dos imunecomplexos aos leucócitos inicia movimento de membrana, mas por causa da superfície lisa, a fagocitose não ocorre e as enzimas lisossômicas são liberadas para o meio. Tal fenômeno ocorre em determinadas formas de lesão glomerular induzida por complexos imunes; e...

3. Liberação citotóxica, que ocorre quando o neutrófilo morre e sofre ruptura, com liberação de suas enzimas lisossomais para o espaço extracelular. Algumas partículas (cristais de uratos e silica) são tóxicas para as membranas lisossomais, permitindo a liberação intracelular de enzimas lisossômicas.

Quimiotaxia

O acúmulo de leucócitos no local da adesão, decorre da liberação ou ativação de mediadores químicos com atividade quimiotáxica sobre essas células. Estas substâncias determinam a migração direcionada de leucócitos segundo um gradiente de concentração. As células tendem a se acumular na fonte do gradiente, uma vez que o movimento contra o gradiente é inibido. Dessa forma a quimiotaxia pode ser definida como a migração unidirecional das células, determinada segundo um gradiente de concentração de substâncias quimiotáxicas, determinando o seu acúmulo. Em contraste, se uma substância é capaz de aumentar a taxa de locomoção, isto é, a velocidade, freqüência de voltas ou magnitude de voltas, mas não é capaz de influenciar a direção de locomoção, as células poderão não tender a 12 se acumular porque não existe fator limitante que previna o seu movimento para longe da fonte de gradiente. Este movimento é definido como quimiocinese. Quimiotaxia e quimiocinese distinguem-se, portanto, do movimento aleatório das células. Substâncias quimiotáxicas podem ser liberadas de tecidos traumatizados, geradas por sistemas enzimáticos presentes no plasma, formadas no curso de reações imunes ou podem ser isoladas de microorganismos.

PROCESSAMENTO DO SINAL QUIMIOTÁXICO

Para que uma célula possa se locomover é necessário que ela reconheça e venha a interagir com as substâncias quimiotáxicas. Diversos trabalhos revelaram a presença de receptores específicos para agentes quimiotáxicos, localizados sobre as membranas celulares de leucócitos. A fixação do elemento reagente ao receptor é rapida e, se aproximadamente 20% dos receptores forem ocupados, o fenômeno final será a migração.
Os fatores quimiotáxicos induzem a locomoção, secreção de enzimas lisossomais e aumento no consumo de oxigênio. A fixação do elemento reagente ao receptor é o primeiro passo e vários fenômenos bioquímicos são descritos na cadeia do processo em um período de tempo muito curto, como aumento de concentração do cálcio citosólico e de nucleotídeos cíclicos. Diversos trabalhos de Hirata (1979, 1980, 1981) indicam que o processamento do sinal quimiotáxico pode incluir a inativação da lipomodulina, a liberação do ácido aracdônico pela fosfolipase A2 e a subseqüente formação de metabólitos bioativos, alguns dos quais induzem quimiotaxia, como o LTB4. Os produtos da via lipoxigenase são potentes indutores da quimiotaxia de PMN "in vitro". O turnover de fosfolipídeos, portanto, pode ter função relevante na quimioatração de PMN, monócitos e macrófagos.

AGENTES QUIMIOTÁXICOS :

Para que um agente possa ser considerado uma substância quimiotáxica deve ser capaz de atrair leucócitos "in vitro". Assim, por exemplo, endotoxina é capaz de produzir acumulação de neutrófilos "in vivo", mas não "in vitro", dessa forma não é considerada substância quimotáxica.
Podemos classificar os agentes quimiotáxicos em:
1) endógenos{ derivados do plasma ou de células
2) exógenos
AGENTES QUIMIOTÁXICOS ENDÓGENOS DERIVADOS DO PLASMA:

1. C5a e C5a desoxi arginina: são os mais importantes do plasma segundo Hugli e Morgan (1984). O C5a é altamente quimiotáxico para neutrófilos, eosinófilos, basófilos e monócitos. É liberado pela ativação do complemento ou por clivagem direta pela tripsina, proteases bacterianas e enzimas encontradas nos lisossomas de neutrófilos e macrófagos. O C5a é rapidamente convertido em C5a desoxi arginina, que também é quimiotaxica na presença de um polipeptídeo do soro chamado de coquemotoxina. O C5a também aumenta a adesão de leucócitos ao endotélio por 13 aumentar a expressão superficial de moléculas de adesão dos leucócitos.

2.fibrinogênio: é também uma fonte potencial de atividade quimiotáxica. Mas a atividade desses, em comparação com o C5a é negligenciavel.

AGENTES QUIMIOTÁXICOS ENDÓGENOS DERIVADOS DE CÉLULAS:
1. leucotrieno B4 (LTB4): induz a adesão de leucócitos ao endotélio venular e é um potente agente quimiotáxico, equiparando-se ao C5a "in vitro", mas menos potente que os fatores do complemento "in vivo".

2. fator ativador de plaquetas (PAF): também aumenta a adesividade dos leucócitos ao endotélio, quimotaxia "in vitro" (tão efetivo como o LTB4) e induz infiltração leucocitária quando injetado na pele. Pode ser gerado por várias células como basófilos, neutrófilos, monócitos e endotélio.

3. citocinas: certos produtos polipeptídeos de linfócitos e monócitos ativados - chamados de linfocinas e monocinas, respectivamente - há muito foram implicados com respostas celulares na imunologia como por exemplo a proliferação e recrutamento de linfócitos. Recentemente, tornou-se claro que alguns destes produtos possuem efeitos adicionais e que desempenham papel importante na resposta inflamatória. Os dois mais importantes são a interleucina 1 (IL-1) e o fator de necrose tumoral (TNF). O primeiro é produzido por praticamente todos os tipos celulares. Isso ocorre quando as células são estimuladas "in vitro" por endotoxinas, imunocomplexos, toxinas, injúrias físicas e vários processos inflamatórios. Entre outros o IL-1 e o TNF induzem a síntese de moléculas de adesão de superfície que estimulam a adesão ao endotélio de neutrófilos, monócitos e linfócitos, também estimulam a síntese de PAF e a proliferação fibroblástica. E, de acordo com Mizel et al (1983) o IL-1 induz a quimiotaxia de PMN "in vitro".
4. constituintes lisossomais: possuem numerosas ações na inflamação entre eles a quimiotaxia, assim, por exemplo, proteínas catiônicas presentes nos grânulos azurófilos de neutrófilos são quimiotáxicas para monócitos.

AGENTES QUIMIOTÁTICOS EXÓGENOS:

1.lecitinas: particularmente a concanavalina A

2.oligopeptídeos simples: derivados de bactérias como a E. coli e Staphilococus aureus

Locomoção de Leucócitos
Um leucócito estimulado por um fator quimiotáxico adquire rapidamente a forma polarizada, caracterizada pela delimitação de uma porção anterior (lamelipódio) e uma porção posterior (uropódio). Esta conformação decorre do aparecimento de 14 ondas de contração equatorial, perpendiculares ao eixo de polarização, iniciadas pela interação da substância quimiotáxica com o seu receptor, na superfície do leucócito.

Stossel (1982) resumiu o mecanismo da locomoção (também envolvido na fagocitose), de maneira simplificada, da seguinte forma:

- o fagócito se movimenta estendendo um pseudópodo que impulsiona o restante da célula na direção da extensão. O interior do pseudópodo é constituido por uma rede ramificada de filamentos compostos de actina e de uma proteina contrátil, a miosina. O fagócito utiliza a associação e dissociação rápidas de actina do monômero para a forma fibrilar, para expandir e contrair o pseudópodo. Esse fenômeno é controlado por íons de cálcio e inúmeras proteinas reguladoras. Estas incluem a proteína fixadora da actina, que organiza as fibras de actina em ângulos retos recíprocos, transformando o estado sol para gel; a gelsolina, que se fixa a uma extremidade de cada filamento de actina impedindo a reorganização; a acumentina que se fixa a extremidade oposta do filamento, revertendo a actina do estado gel para sol; calmodulina, uma proteína fixadora de cálcio que controla o arranjo das moléculas de miosina. Não se sabe exatamente como a miosina interage com a actina no pseudópodo para produzir a contração. Entretanto, o movimento depende muito do gradiente de cálcio intracitoplasmático, que afeta tanto a ação da gelsolina sobre a actina, quanto o arranjo dos filamentos de miosina. Essas alterações entre o estado gel e sol do citoplasma conferem o movimento direcionado. Sob influência da miosina, a rede de actina pode ser puxada de áreas gel com maior concentração de cálcio, para áreas sol com menor concentração.

MODELOS EXPERIMENTAIS PARA O ESTUDO DA QUIMIOTAXIA
MODELO "IN VITRO"

1.Modelo da quimiotaxia em câmara de Boyden: consiste de duas câmaras separadas por um filtro poroso, cujos poros devem ter um diâmetro de tamanho suficiente para permitir que as células o atravessem ativamente, com a utilização de esforço e não de forma casual ou passiva. As células que se deseja estudar são colocadas na câmara superior imersas em meio de cultivo adequado. O mesmo meio deve ser colocado na câmara inferior, onde deve ser dissolvida a substância quimiotáxica teste.

Após uma incubação por período de tempo fixo (de 45 minutos a 2 horas ou mais), o filtro deve ser retirado, cuidadosamente lavado e corado. As células podem ser contadas ou a distância entre a primeira e a última camada de células pode ser medida com o auxílio do micrométrico do microscópio. Este modelo descrito por Boyden é intensamente utilizado em estudos de quimiotaxia com algumas variações, sendo de boa reprodutibilidade e baixo custo.

MODELO "IN VIVO"

1.Método da pleurisia: o método da pleurisia pela carragenina ou outros irritantes permite avaliar o aumento da permeabilidade vascular, a quantidade de exsudato extravasado e o componente celular desse exsudato.
Além disso, o fluido inflamatório pode ser colhido para quantificação e identificação de mediadores químicos da inflamação ou de proteínas através de técnicas adequadas.

Baseia-se na inoculação de irritantes em estudo na cavidade pleural na altura do quarto espaço intercostal de ratos. Após um período variável de tempo, dependente 15 do experimento em questão, os animais são sacrificados e, após lavagem, recolhe-se o exsudato e o líquido de lavagem com o auxílio de uma pipeta Pasteur para a observação dos parâmetros propostos pelo experimento.

Permite também o estudo do efeito de drogas que modulam a inflamação, quando então, o irritante empregado possui ação conhecida, como por exemplo a carragenina. Permite também variações como o emprego simultâneo do azul de Evans, p.e.

HORMÔNIOS E FUNÇÃO LEUCOCITÁRIA

A insulina desempenha papel relevante na mobilidade de leucócitos polimorfonucleares, pois ocorre aumento da migração de tais células em pacientes diabéticos tratados com o hormônio (Baciu et al., 1967). Movat & Baum (1971) demonstraram que o índice quimiotáxico médio de PMN oriundos de diabéticos é significativamente menor que o de PMN oriundos de indivíduos normais.
Os corticosteróides induzem a formação de proteinas inibidoras da ação de fosfolipases (Di Rosa, 1989). São descritas tres proteínas com atividade antifosfolipase: macrocortina, lipomodulina e renocortina.

BIBLIOGRAFIA
Dellman, H; Brown, E.M.: Histologia Veterinária. Guanabara Koogan - Rio de Janeiro, 1982. pp. 71-78.
Cheville, F.N.: Patologia Celular. Editorial Acribia - Zaragoza, 1980. pp. 79-80, 161-167.
Leme, J.G.; de Mello, S.B.V.; Falcão, R.P. & Rocha, J.R.O.: Lymphocytes in non-immune inflammation: a specific subclass of lymphoid cells? Br. J. exp. Path. 62: 172-181.
Movat, H.Z.: The Inflammotory Reaction. Elsevier, 1985. Amsterdam. pp. 203-229, 262-268
Pérez-Tamayo, R.: Introducción a la Patologia. Mecanismos de la enfermedad. Editorial Medica Panamericana, 2º edición, 1987, pp. 443-444.
Robins, S.L.; Cotran, R.S. & Kumar, V.: Pathologic Basis of disease. W.B. Saunders Company, 1989, pp. 45-59.
Spector, W.G.: An Introduction to General Pathology. Churchill Livingstone, 2nd edition, 1980, pp. 17-26.
Velo, G.P.; Willoughby, D.A. & Giroud G.P.: Future trends in Inflammation. Proceedings of an International Meeting on Inflammation; Verona, 28th - 30th June 1973. pp. 71- 74.
16
17